Diante de mortes confirmadas por causa da dengue e de mais de nove mil casos da doença, a população de Campo Grande tem tentado se proteger da doença. Repelentes, soro e o medicamento paracetamol, o mais indicado no caso da doença, já começam a faltar nas farmácias. O prefeito Alcides Bernal (PP) decretou situação de emergencia e anunciou compra de medicamentos emergencial, sob o argumento de que os estoques estão vazios, mas na rede pública, a situação não comprovada na prática, embora a procura esteja intensa.

Nas farmácias privadas, a venda do paracetamol aumentou até 80% em alguns locais, em comparação com os meses anteriores. Quem procura repelente também já tem dificuldade em encontrar no comércio. Com o soro, recomendado para o paciente se hidratar, a rotina tem sido a mesma.

De todas as farmácias pesquisadas pelo CAMPO GRANDE NEWS, a maioria confirmou o aumento na procura pelo medicamento, e alguns estabelecimentos já falam em ampliar os pedidos junto às distribuidoras. É possível perceber que muita gente tem comprado o remédio, mesmo sem ter certeza da doença.

Nas últimas semanas, a farmacêutica Crislaine Soares conta que na farmácia do bairro Tiradentes a procura cresceu vertiginosamente, cerca de 80%. Segundo ela, os pedidos para a distribuidora já aumentaram. Muitos clientes têm comprado o medicamento por causa dos sintomas, além dos que chegam por recomendação médica. Segundo a farmacêutica, tem gente que vem com a recomendação médica para comprar dipirona, mas se não tiver receita, ela indica o paracetamol. “Não tem nada comprovado que o dipirona altere as plaquetas, mas a recomendação oficial até o momento é de que o paracetamol é o mais indicado para a dengue. Não sei por que muitos médicos estão receitando dipirona, será que é porque o paracetamol está em falta?”, questionou.

Na farmácia do bairro Coronel Antonino, o atendente Adão Gomes da Silva diz que houve aumento de 40% na venda de Paracetamol. “Já avisei para aumentarmos os pedidos”. Pacientes com receita estão precisando recorrer às farmácias, segundo Adão, já que o remédio tem faltado nos postos. “Alguns estão comprando porque não conseguiram pegar no posto”.

E mesmo sem a receita, somente com os sintomas, tem gente querendo se antecipar. “Mesmo com alguns sintomas, as pessoas já correm para comprar o medicamento. E isso é um problema”, lembra a farmacêutica Monica Perin, 37 anos. O uso indiscriminado do Paracetamol, segundo Mônica, faz mal para o fígado e pode até se transformar em uma hepatite.

Na farmácia São Bento da avenida Mato Grosso, o atendente conta que, além do medicamento, os clientes tem procurado o repelente. “Aumentou a venda de tudo. Agora mesmo, veio uma mulher dizendo que já tinha passado em quatro farmácias e não tinha conseguido comprar repelente”, Roberto Willian, 25 anos. Ele ainda confirma as mesma informações de outros atendentes e farmacêuticos. “Por medo, tem, gente que sente um dorzinha no corpo e já vem compara o paracetamol”.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Coronel Antonino, os funcionários observaram o aumento na procura do paracetamol, inclusive nos pedidos de estoque. Mas eles ainda garantiram que o remédio não tem faltado. Na farmácia do posto de saúde do Tiradentes, o atendente lembra que na rede pública o medicamento não está em falta, mas diz que por causa da epidemia os remédios saem como água.

Fonte: Campo Grande News