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Fotos Gilmar Prado

Qualquer pessoa que quiser fazer uma aventura, pode ter uma experiência dramática no cenário do lixo. Seria iguais todos os lixões nas cidades interioranas? É simplesmente horrível conviver por alguns minutos num ambiente, onde os trabalhadores estejam expostos a toda espécie de imundície. Ali estão seres humanos, que desprovidos de meios e de uma profissão mais honrosa, passam o dia inteiro no labor para garantir o pão sagrado. Ali, é dura a realidade de homens e mulheres vivendo uma prática cruel, muito longe de teorias discutidas em laboratórios.

Afinal, qual é o paradeiro final do lixo? A visita a uma associação que trata do lixo de muitas procedências, deixa qualquer um estarrecido. A curiosidade, enfim, leva alguns repórteres a conhecer de perto a realidade do lixão na Admirável Mundo Novo. Era uma tarde de segunda-feira, 6 de abril. Os comunicadores foram bem recebidos pelo sorridente Felipe, que coordena o trabalho da coleta e tratamento do lixo. O dito Lixão era simplesmente um pavor. Para alguns, era novidade a cena presenciada.

Ninguém acreditava no que estava vendo e sentindo, tanto pela diversidade de odores quanto por ver aquelas pessoas mergulhadas dentro do lixo, uma imagem que se misturava: gente, lixo e animais, sem contar também da infestação de moscas. Desistir não era possível, pois a reportagem tinha que ser concluída. Todos respirando fundo ao começar o contato com os trabalhadores, completamente desolados. Anotadas algumas falas, o ambiente fétido era observado e todos admitiam que ali a contaminação era certa, muito perigosa aos seres humanos, que na dura lida a céu aberto e com a consciência do dever cumprido, não veem quando a jornada diária termina. Um dos heróis que ali trabalham disse que, apesar da insistência, nunca apareceu ninguém ali para promover o combate à dengue, mas todo o material coletado na cidade está ali para a classificação.

Os lixos não pérfuro-cortantes eram armazenados em sacos brancos leitosos e os pérfuro-cortantes, em superfície rígida, prensados e prontos para a comercialização, cujo valor varia entre R$0,18 (papelão) a R$2,20 (latinha) o quilo. Trabalham ali 11 pessoas desprovidas de uma assistência social adequada e com renda mensal em torno de R$600 (seiscentos reais). As refeições são feitas no mesmo local, em meio ao lixo fedorento e sem as mínimas condições de higiene.

Uma senhora de meia idade queixou-se da falta de apoio do poder público, tendo que conviver no ambiente indesejado, ganhando pouco e ainda tendo que conviver o dia todo no lixão, incluindo aquele lixo hospitalar residencial, sem poder dizer nada e levando uma vida sem dignidade. Romualdo é outro trabalhador, que há mais de 14 anos presta serviços, mas não lamenta a triste sorte. O dirigente da associação, esboçando um sorriso, disse que o prefeito prometeu conviver uma semana com eles, cuja visita é esperada ansiosamente.

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