Os sabores do Pantanal, do Cerrado e da vida nas comitivas sul-mato-grossenses ganharam espaço na WTM Latin America 2026, feira internacional realizada em São Paulo. Os chefs Hélio Santos, conhecido como Helinho, e Marcílio Galeano representaram Mato Grosso do Sul em uma programação voltada ao turismo, que reuniu mais de 35 mil profissionais e representantes de mais de 150 países.
Durante três dias, os chefs combinaram aulas, palestras e degustações para apresentar a culinária do Estado como expressão de história e identidade. Helinho, com 25 anos à frente do restaurante Comitiva Pantaneira, levou receitas e lembranças de sua trajetória ligada ao Pantanal. Antes de atuar na cozinha, ele trabalhou como boiadeiro e peão de comitiva, experiência que, segundo contou, marcou sua relação com a gastronomia.
Na participação em São Paulo, Helinho destacou a cultura do homem do campo e a importância do peão de boiadeiro na formação da comida regional. Ele afirmou que grande parte da gastronomia local passa por esse universo e defendeu maior valorização dessa tradição, que considera cada vez mais rara. O convite para a feira, segundo relatou, veio de parceiros da área gastronômica e foi aceito por se tratar de um evento de grande porte.
Ao lado dele, Marcílio Galeano ajudou a transformar a apresentação em uma experiência sensorial. A proposta integrou fala e preparo dos pratos, sem separar a explicação da cozinha. Os participantes conheceram ingredientes como limão rosa, piranha, pequi, carne de sol e mandioca, em uma sequência que reuniu referências do campo, influências de países vizinhos e elementos do cotidiano na estrada.
Entre os pratos apresentados estiveram paçoca de carne de sol com torresmo e macarrão de comitiva, além de ingredientes e sabores do Cerrado, como guavira, bocaiúva e castanha de baru. A experiência também incluiu doce de leite do Rio da Prata. A primeira aula contou com pessoas com deficiência visual e cadeirantes, reforçando o caráter inclusivo da proposta.
Para os chefs, a passagem por São Paulo não alterou a essência da culinária sul-mato-grossense, mas ampliou a responsabilidade de apresentá-la fora do Estado. Marcílio resumiu a intenção do projeto como um esforço para transmitir identidade e mostrar que a gastronomia local nasce do território, da estrada, do rio, da necessidade e da cultura.
Fonte: Campo Grande News




