20/04/2026
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    Caça ilegal no Cerrado e Pantanal soma milhares de apreensões e expõe pressão sobre espécies

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    A caça ilegal segue pressionando a fauna do Cerrado e do Pantanal, mesmo com a proibição em vigor no Brasil desde 1967. Um levantamento publicado pelo The Conversation Brasil reuniu registros da Polícia Rodoviária Federal e mostra que a atividade permanece disseminada, embora ainda seja pouco mensurada em dados oficiais.

    O estudo analisou informações de 2017 a 2024 e considerou apenas apreensões de animais abatidos para consumo ou transporte de carne silvestre. No período, foram identificados 314 eventos independentes, com pelo menos 9.479 animais apreendidos e cerca de 9,3 toneladas de biomassa.

    Entre os autores estão pesquisadoras com atuação em Mato Grosso do Sul: Neiva Guedes, do Instituto Arara Azul, e Carla L. G. Rivero-Wendt, do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da UFMS. A análise indica que a caça ilegal não aparece como fato isolado, mas como uma prática contínua, com impacto em diferentes biomas.

    Embora Amazônia e Caatinga concentrem maior volume de registros, o recorte sobre Cerrado e Pantanal revela características próprias. Nessas áreas, répteis têm presença relevante entre as apreensões, com destaque para o tracajá, que aparece com 210 indivíduos abatidos nos dados analisados. Ao todo, foram registradas 47 espécies, das quais sete estão ameaçadas de extinção, como anta, queixada, tatu-canastra e mutum-de-penacho.

    O levantamento também aponta um padrão associado à defaunação, ou seja, à perda gradual de animais em um ecossistema. Segundo os pesquisadores, quando a fauna diminui, cresce o número de indivíduos por ocorrência, mas com menor biomassa, o que sugere mudança no perfil da caça ao longo do tempo, com redução de espécies maiores e maior exploração de aves e animais menores.

    Outro ponto citado é a distribuição desigual dos registros. No caso do Pantanal, o número de apreensões aparece como o menor entre os recortes analisados, mas isso não deve ser entendido como ausência de caça. Para os autores, o dado pode refletir lacunas na fiscalização e no monitoramento. Eles destacam ainda que as informações da PRF funcionam como um termômetro parcial do problema e podem ajudar a orientar políticas públicas mais direcionadas, com reforço da fiscalização em rodovias, ampliação do monitoramento em rotas fluviais e estratégias ajustadas a cada região.

    Fonte: Campo Grande News

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