A crença de que o vira-lata é mais resistente que o cachorro de raça é comum entre tutores, mas não vale como regra geral. Segundo o médico-veterinário Júlio César Filho, há um fundo de verdade na afirmação, embora ela também seja cercada de exageros.
De acordo com o especialista, os cães sem raça definida podem ter menor predisposição a doenças genéticas por causa da mistura de cruzamentos ao longo do tempo. Essa diversidade reduz a concentração de genes associados a problemas hereditários que aparecem com mais frequência em algumas raças.
Mesmo assim, o veterinário ressalta que isso não significa imunidade. Estudos indicam que, no conjunto, a incidência de problemas de saúde pode ser semelhante entre cães de raça e SRD, o que mostra que a diferença entre eles não é tão grande quanto costuma parecer.
Júlio também chama atenção para um mito perigoso: a ideia de que vira-latas “não ficam doentes”. Na prática, eles também podem desenvolver dermatites, problemas articulares e infecções, além de precisarem de vacinação, acompanhamento veterinário e cuidados básicos.
Na avaliação do especialista, a resposta sobre quem é mais resistente depende de cada caso. Enquanto vira-latas podem ter vantagem em relação a algumas doenças hereditárias, cães de raça podem oferecer maior previsibilidade de porte e comportamento. Para ambos, alimentação, ambiente, vacinação e acompanhamento médico têm peso maior na saúde do que a raça em si.
Assim, a conclusão é que o vira-lata pode, sim, apresentar certa vantagem genética em alguns aspectos, mas não é naturalmente mais saudável em todas as situações. “O que define a saúde de um cachorro não é só a raça, mas principalmente o cuidado que ele recebe ao longo da vida”, afirma o veterinário.
Fonte: Campo Grande News




