Dakila Pesquisas buscava suposta Ratanabá em Mato Grosso; multa por descumprimento foi fixada em R$ 50 mil
Para pesquisadores, cidade perdida está entre três pirâmides na região entre Mato Grosso, o Amazonas e o Pará
MidiaMax –
A Justiça Federal proibiu a Associação Dakila Pesquisas , do empresário Urandir Fernandes, conhecido publicamente como ‘Pai do ET Bilu’ — já que foi interlocutor do suposto extraterrestre — de buscar a cidade perdida de ‘Ratanabá’ em terras indígenas de Mato Grosso.
A ação foi proposta pelo Ministério Público Federal, que pedia a proibição de sobrevoos, pousos, investidas terrestres ou aquáticas, pesquisas, monitoramentos e exploração de imagens e dados por Urandir na Terra Indígena Kayabui ou em áreas tradicionais adjacentes.
Segundo o MPF, desde maio de 2022, a Dakila realiza voos de estudos e incursões na TI, que fica no município de Apiacás (MT). O grupo de pesquisas que estuda ufologia quer encontrar a cidade perdida de ‘Ratanabá’ e não teria autorização da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) nem do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), nem teria feito qualquer consulta às comunidades afetadas.
Exploração de terras indígenas
A legislação prevê que a exploração de terras de povos originários exige autorização do Congresso Nacional e também oitiva dos indígenas. O MPF pediu a tutela de urgência para tentar cessar as investidas.
Então, o juiz federal Marcel Queiroz Linhares, da 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Sinop (MT), deferiu a tutela para proibir qualquer ação exploratória da Dakila.
Além disso, a empresa não pode instalar equipamentos, usar drones ou sensores como o levantamento LiDAR (detecção e varredura por luz) nem publicar fotos e vídeos, coordenação geográfica ou informações obtidas nas incursões questionadas pelo MPF.
Para isso, o juiz arbitrou multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento das ordens. O Jornal Midiamax acionou a equipe da Dakila, questionando sobre a decisão.
Em nota, afirmaram que não irão se manifestar, pois não foram intimados nos autos do processo, e vão se pronunciar quando isso acontecer. De antemão, no texto, afirmaram que respeitam as terras indígenas e as manifestações institucionais.
Cidade de Ratanabá
De acordo com Dakila Pesquisas, a cidade perdida Ratanabá estaria localizada submersa na Amazônia brasileira, no estado de Mato Grosso, entre o Pará e o Amazonas. De acordo com a teoria, existe uma rota de túneis subterrâneos que se estenderia por toda a América do Sul e se ligaria à cidade futurista, supostamente mais desenvolvida.
A teoria especifica que uma das entradas destes túneis estaria escondida dentro do Forte Príncipe da Beira, localizado no município de Costa Marques, em Rondônia. Dessa forma, Ratanabá estaria escondida entre três pirâmides na região entre o Amazonas, o Pará e Mato Grosso.
No entanto, o mestre em História e pesquisador Lourismar Barroso, que produziu um estudo a respeito do Forte Príncipe da Beira, negou ao site Portal Amazônia a existência dessa passagem para a suposta cidade perdida.
‘Pai’ do ET Bilu
Urandir criou o complexo Zigurats, em Corguinho , onde começou a relatar contatos com um ser extradimensional chamado Bilu. O CEO de Dakila afirmava tratar-se de um ser extraterrestre que vinha à Terra transmitir conhecimentos científicos e filosóficos.
Então, em 2010, a rede Record exibiu, em cadeia nacional, reportagem contendo uma suposta entrevista com o “ET Bilu”. Nela, a entidade pede que a equipe apague as luzes e, escondida entre arbustos e com uma voz infantil, passa uma mensagem às pessoas do planeta Terra: “Apenas que busquem conhecimento” . O caso virou piada e meme nacional.
O vídeo repercutiu e gerou diversas análises de peritos que desmascararam o ET Bilu, apontando diversas inconsistências na suposta aparição. Muitos disseram que seria uma pessoa agachada usando um capacete. No entanto, a aparição foi defendida por Urandir como autêntica .
Além disso, o empresário é defensor da teoria da Terra Convexa, a qual nega que o planeta seja um globo ou geoide (esférico), apontado pela Nasa como o formato da Terra.
Em 2018, junto a outros grupos que se intitulam cientistas, Urandir lançou documentário em que supostamente prova o formato convexo da Terra, que teria uma superfície ligeiramente curva. Ainda, argumenta que existe um continente não descoberto após um paredão de gelo.
Fonte: TV Sobrinho




