Euzi Rhamos/Tv Sobrinho –
O cristianismo, que tantas vezes levanta uma moral implacável para seus adeptos, é um generoso pai de metas inalcançáveis. O cristão tem o direito de ser pecador, exalando perfeição por onde quer que passe. Reprime seus desejos, sua verdadeira personalidade e, muitas vezes, até aquilo que existe de mais humano dentro de si.
Deus, no altar, frita em azeite generoso todos aqueles que resolveram se rebelar.
“Não use drogas”, diz o austero consumidor de cannabis.
“Não fale palavrão”, diz a santa que se arde nas noites quentes de sua alma devassa.
Prostituta é a fome de santidade!
Na humanidade, nada é perfeito . A natureza é cheia de imperfeições e, talvez justamente por isso, seja única e incomparável. As pedras são irregulares, cada uma com sua própria geometria, e juntas podem formar caminhos indescritíveis no âmago de uma floresta.
A hipocrisia humana também leva autoridades que financiam a guerra a pedir paz às suas vítimas.
É uma coisa horrorosa como alguns se vestem de santos enquanto varrem suas próprias sujeiras para debaixo do tapete.
Desconfie quando a oferta é demais . Desconfie quando tudo parecer irretocável.
Há homens que vestem roupa de príncipe e, na calada da noite, agridem sua princesa.
Há quem odeie homossexuais e, na sombra da madrugada, sibila sua própria libido inconfessáveis
Se você parar para pensar, inúmeras serão as vezes em que foi — e ainda será — hipócrita.
Sim, eu também não saio ilesa.
Fumo, bebo, gosto de uma fofoca e, algumas vezes, menti na cara dura.
E talvez seja justamente aí que começa a honestidade: quando paramos de fingir que somos aquilo que não somos.
Não aceite uma roupa de gente santa. Elas não existem!
Aceite a imperfeição humana como uma dádiva da Divindade.
Deus nos fez inacabados para que, no decorrer desta vida, pudéssemos olhar para trás e ser felizes com o resultado de uma jornada de setenta, oitenta ou noventa anos.
Regue suas plantas. Sorria de si mesmo. Conte histórias de pescador sem ser absorvido por elas!
Todo mundo, um dia, mentiu. Todo mundo já fugiu de si mesmo. Alguém já passou uma noite no bordel. Alguém já bebeu mais do que podia. Alguém já desejou aquilo que condenava no outro.
E talvez seja justamente essa nossa imperfeição que nos torne humanos .
Vamos quebrar a hipocrisia e sermos leves na mais fina essência de cada ser.
Todo mundo tem luz e prazer, deficiência e inteligência.
E o gostoso de ser é ter no peito um jeito livre de Amar.
Euzi Rhamos – Escritora e poeta mística. Residente em Mundo Novo há 45 anos, sua obra transforma as palavras em sentimentos poéticos desde os 12 anos. Autora de ‘O despertar do véu’, vol. l e ll, bem como “Âmago Ancestral”. A palavra, sentimentos e emoções podem mudar vidas e é através deste poder que a autora nos convida a trilhhar o caminho para dentro.
Fonte: TV Sobrinho




