Naturais de Amambai e criados em Sete Quedas, Campo Grande e Bela Vista, os artistas representam Mato Grosso do Sul na premiação internacional, ao lado de Dora Sanches, de Campo Grande, e Guilherme Rondon, criado em Corumbá
Clara Dias/O Sulmatogrossense –
Mato Grosso do Sul terá cinco nomes de sua música representados no Grammy Latino de 2026. Ana Castela, Luan Santana, Ney Matogrosso, Dora Sanches e Guilherme Rondon estão ligados a trabalhos que concorrem à 27ª edição da premiação, marcada para 12 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Os artistas representam diferentes gerações e estilos, do sertanejo à música pantaneira, passando pela MPB e pela nova cena autoral brasileira.
Entre os cinco nomes, quatro aparecem diretamente entre os indicados. Guilherme Rondon participa como compositor e intérprete de uma gravação que concorre a Melhor Arranjo, categoria na qual os indicados oficiais são os responsáveis pelo arranjo musical.
A presença dos artistas reforça a diversidade da produção musical ligada a Mato Grosso do Sul, que reúne nomes consagrados nacionalmente e representantes de uma nova geração.
Ana Castela: de Sete Quedas ao sucesso nacional
Nascida em Amambai e criada em Sete Quedas, na fronteira com o Paraguai, Ana Castela construiu sua carreira a partir das referências do campo e da música sertaneja.
Ainda no início da trajetória, ganhou repercussão nas redes sociais com um vídeo caseiro cantando “Vaqueiro Apaixonado”, do cantor sul-mato-grossense Loubet, gravado durante uma visita à fazenda dos avós, no Paraguai.
O reconhecimento abriu caminho para a carreira profissional. Com músicas que misturam sertanejo e referências do universo agropecuário, a cantora se tornou um dos principais nomes do chamado agronejo.
Em 2026, Ana Castela concorre ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja com Fire Arena .
Esta é a terceira indicação consecutiva da artista, que venceu a mesma categoria em 2024 e voltou a concorrer em 2025.
Luan Santana: de Campo Grande aos grandes palcos
Nascido em Campo Grande e criado em Jaraguari, Luan Rafael Domingos Santana começou a conquistar o público nacional em 2009, impulsionado pelo sucesso de “Meteoro”.
O cantor rapidamente se consolidou entre os principais nomes do sertanejo brasileiro, com turnês, gravações ao vivo e sucessos que atravessaram diferentes fases de sua carreira.
Logo no início da trajetória, recebeu uma indicação ao Grammy Latino com o álbum Luan Santana Ao Vivo . Apesar das indicações acumuladas ao longo dos anos, ainda não conquistou uma estatueta da premiação.
Na edição de 2026, disputa Melhor Álbum de Música Sertaneja com Registro Histórico (Ao Vivo) , projeto que celebra seus 18 anos de carreira.
Luan concorre diretamente com Ana Castela, já que os dois trabalhos estão entre os finalistas da mesma categoria.
Ney Matogrosso: uma das vozes mais marcantes do Brasil
Nascido em Bela Vista, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Ney Matogrosso construiu uma das carreiras mais reconhecidas da música brasileira.
O artista ganhou projeção nacional na década de 1970 como vocalista do grupo Secos & Molhados, que marcou a música brasileira com apresentações ousadas, figurinos elaborados e uma sonoridade que misturava diferentes influências.
Após deixar o grupo, Ney desenvolveu uma carreira solo marcada pela interpretação vocal, pela liberdade artística e por espetáculos nos quais música, dança, figurino e iluminação fazem parte de uma mesma apresentação.
Sua presença de palco e a maneira como desafiou convenções de comportamento e expressão artística o transformaram em referência para diferentes gerações.
Aos 85 anos, Ney participa da edição de 2026 com a gravação de “Viver e Morrer de Amor na América Latina”, parceria com Johnny Hooker, indicada à categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.
A categoria reconhece os compositores da obra. Neste caso, Johnny Hooker aparece como o autor indicado, enquanto Ney integra a gravação concorrente.
Dora Sanches: nova geração da música sul-mato-grossense
Nascida em Campo Grande, Isadora Sanches, conhecida artisticamente como Dora Sanches, representa uma nova geração de músicos de Mato Grosso do Sul que busca espaço no cenário nacional.
Desde a infância, demonstrou interesse pela música e começou a compor suas próprias canções aos 13 anos. A convivência com o ambiente rural e as paisagens sul-mato-grossenses também influenciou sua formação artística.
Em busca de aperfeiçoamento profissional, mudou-se para São Paulo, onde se formou em Produção Musical.
Em maio de 2026, lançou seu primeiro álbum solo, Seda de Casulo , composto por dez faixas autorais que misturam MPB, soul e elementos do folk.
As músicas abordam temas como autoconhecimento, vulnerabilidade e amadurecimento, apresentando uma proposta intimista e autoral.
O trabalho ajudou a projetar Dora no cenário musical e rendeu sua primeira indicação ao Grammy Latino, na categoria Artista Revelação.
A indicação coloca a cantora campo-grandense entre os novos talentos reconhecidos pela Academia Latina da Gravação.
Guilherme Rondon: a música do Pantanal no Grammy
Nascido em São Paulo, em 1952, e criado em Corumbá, Guilherme Rondon construiu uma trajetória profundamente ligada à cultura e à identidade musical de Mato Grosso do Sul.
Cantor, compositor, violonista e arranjador, tornou-se uma das referências da música pantaneira, combinando ritmos tradicionais da região de fronteira, como guarânia, polca e chamamé, com influências da música brasileira e internacional.
Sua obra valoriza elementos culturais do Pantanal e da fronteira sul-mato-grossense, contribuindo para a preservação e a divulgação dessa identidade musical.
Na edição de 2026, a composição “Sonho Inca” aparece entre os trabalhos que concorrem ao Grammy Latino na categoria Melhor Arranjo.
A gravação integra o álbum De Dentro do Futuro , do duo Rafael Beck e Felipe Montanaro, responsáveis pelo arranjo indicado à premiação. Guilherme Rondon participa da gravação e é o autor da composição.
Diferentemente dos demais artistas apresentados, Rondon não concorre individualmente à estatueta. A indicação oficial pertence aos arranjadores Rafael Beck e Felipe Montanaro, mas leva uma composição do músico ligado a Mato Grosso do Sul à disputa internacional.
Cinco nomes, quatro categorias
Os trabalhos ligados aos cinco artistas aparecem em quatro categorias do Grammy Latino de 2026.
Ana Castela e Luan Santana concorrem separadamente a Melhor Álbum de Música Sertaneja. Dora Sanches disputa Artista Revelação, enquanto a gravação com Ney Matogrosso concorre a Melhor Canção em Língua Portuguesa. Já “Sonho Inca”, de Guilherme Rondon, está na categoria Melhor Arranjo, com indicação aos músicos Rafael Beck e Felipe Montanaro.
A cerimônia de premiação será realizada em 12 de novembro, em Las Vegas, quando serão anunciados os vencedores da 27ª edição do Grammy Latino.
Fonte: TV Sobrinho




