O frigorífico da JBS foods, em Coxim – 253 km de Campo Grande -, que opera desde 2012, fecha as portas nesta quarta-feira (1). O local, que trabalha com abate de animais, emprega 210 pessoas e a empresa alega impasse na renovação de contrato do aluguel. As ações na Bolsa de valores de São Paulo (Bovespa) e as vendas internacionais da empresa, no entanto, crescem a todo vapor após o anúncio de oferta das ações da subsidiária internacional da companhia.

A JBS alega impasse junto a empresa que a aluga a unidade em Coxim, a River Alimentos. A assessoria de imprensa da corporativa afirma que a empresa ofereceu aos trabalhadores a possibilidade de trabalho em outras unidades.

“A decisão é resultado do término do contrato de sublocação da unidade. Após tentativas de negociação com a locatária do estabelecimento (River Alimentos Ltda.), não foi possível chegar a um acordo que permitisse a manutenção da operação em Coxim/MS”, explicou. “A JBS promoverá o desligamento, de acordo com aquilo que prescreve a legislação”, complementou a empresa.

Toda a produção da JBS em Coxim será realocada nas unidades de Campo Grande e em Cassilândia, 430 km da Capital.

Abertura internacional

A companhia realizará oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da sua subsidiária JBS Foods International (JBSFI) – que vai reunir os negócios internacionais da maior processadora de carne bovina do mundo – na Bolsa de Nova York (NYSE).

As transições econômicas motivam o ‘silêncio’ da empresa quanto ao crescimento e a perspectiva sobre o ano de 2016, conforme explicou a assessoria de imprensa. Reportagem do jornal Exame afirma que ela continuará administrando e controlando os negócios de carne bovina no Brasil e atividades relacionadas, incluindo o negócio global de couros.

O anúncio repercutiu de forma positiva na bolsa de valores no último dia 6. A Bovespa registrou um aumento de 18,42%. A JBS também nomeou, na segunda-feira (30), cinco membros independentes para compor o conselho de administração da subsidiária internacional.

Atuando em  Mato Grosso do Sul desde 2000, a empresa possui sete unidades de abate de bovinos, além de divisões da JBS Couros, JBS Novos Negócios e Seara. São cerca de 12 mil empregos diretos no Estado.

Investigação – Uma das empresas ligadas ao grupo é  investigada pela operação Greenfield, da Polícia Federal. Deflagrada em setembro de 2016, a Greenfield investiga fraudes em fundos de pensão de funcionários da Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correio). A força-tarefa analisou casos de supostas irregularidades em Fundos de Investimentos em Participações (FIPs), os instrumentos usados pelos fundos para adquirir participação acionária em empresas.

Os investigadores afirmam que as aquisições de cotas do FIP eram precedidas de avaliações econômico-financeiras irreais e tecnicamente irregulares, com o objetivo de superestimar o valor dos ativos da empresa, aumentando, de forma artificial, a quantia total que o fundo de pensão deveria pagar para adquirir a participação acionária indireta na empresa. A operação estima prejuízo de R$ 8 bilhões. Entre os executivos investigados estão os irmãos Wesley e Joesley Mendonça Batista, responsáveis pelo grupo J&F Investimentos, controlador da JBS.

A operação resultou no afastamento dos dois, após determinação judicial, conforme reportagem da Exame, e a JBS anunciou José Batista Júnior como diretor-presidente interino da companhia. A reorganização da JBS, após 2016, também resultou no afastamento do presidente da empresa na América do Sul, Enéas Pestana.

A holding que controla a empresa também foi citada no despacho do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a deflagração da Operação Cui Bono pela Polícia Federal, conforme o jornal Valor Econômico. A operação, segundo o jornal, investiga um suposto esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal.

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