25/04/2026
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    Iguatemi – Morte de indígena em Mato Grosso do Sul tem novas diligências da Federal

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    Vicente Fernandes Vilhalva foi assassinado com um tiro na nuca, no dia 16 de novembro, nas proximidades da Aldeia Pyelito Kue, área rural de Iguatemi

    MidiaMax –

    A Polícia Federal deflagrou na última quarta-feira (26) a Operação Teko Porã, etapa que dá continuidade às investigações sobre o homicídio do indígena Vicente Fernandes Vilhalva, ocorrido no dia 16 de novembro, nas proximidades da aldeia Pyelito Kue, área rural de Iguatemi.

    O objetivo é avançar no esclarecimento da dinâmica do crime e identificar todos os envolvidos no ataque registrado naquela madrugada, quando a comunidade relatou ter sido alvo de disparos efetuados por pessoas ainda não identificadas.

    Cumprindo determinações da Justiça Federal, equipes da PF realizaram mandado de busca e apreensão em endereço ligado aos investigados. A ação resultou na apreensão de seis dispositivos eletrônicos, que agora serão submetidos à perícia técnico-científica para análise de conteúdo e eventuais vínculos com o crime.

    Paralelamente, uma equipe especializada da corporação retornou ao local onde o corpo foi encontrado, para uma nova perícia. Foram utilizados recursos tecnológicos destinados à identificação de vestígios, reconstrução da trajetória dos disparos, posicionamento das vítimas e circunstâncias do confronto, com o objetivo de reunir elementos complementares para a investigação.

    Entenda o caso

    Vicente Fernandes Vilhalva, indígena Guarani Kaiowá de 36 anos, foi morto com um tiro na nuca na madrugada de 16 de novembro, durante um ataque armado contra a Comunidade Pyelito Kue, que havia retomado parte do território sobreposto à Fazenda Cachoeira.

    No mesmo episódio, o funcionário da fazenda, Lucas Fernando da Silva, de 23 anos, também morreu após sofrer ruptura hepática e choque hemorrágico.

    A invasão teria ocorrido após três madrugadas consecutivas de ataques, segundo relatos indígenas, envolvendo armas de fogo, balas de borracha e rojões. Quatro pessoas ficaram feridas e uma criança teve a mão queimada.

    Dois suspeitos foram identificados logo após o crime, um deles reconhecido por um indígena ferido. Ele foi preso em flagrante e levado à Delegacia da Polícia Federal em Naviraí.

    No local do ataque, a PF recolheu cápsulas, material biológico e duas espingardas calibre 12 usadas por seguranças privados da fazenda.

    Disputa de terras

    A área onde ocorreu o ataque integra a Terra Indígena Iguatemipeguá I, identificada e delimitada como território Guarani Kaiowá pela Funai há mais de uma década. Mesmo assim, a Fazenda Cachoeira permanece sobreposta à área tradicional, sendo recentemente arrendada por empresas do setor de carne. Cerca de 120 famílias de Pyelito Kue vivem nos 97 hectares ocupados, área definida por acordo judicial em 2014.

    O conflito fundiário na região é antigo e envolve sucessivas retomadas realizadas pelos Guarani Kaiowá na tentativa de reaver terras tradicionais. A comunidade tem sido alvo frequente de ataques de pistoleiros e denúncias de violência, fato apontado por organizações indígenas e órgãos de direitos humanos.

    Os relatos de agressões incluem disparos noturnos, incêndio de barracos, intimidações e bloqueios de acesso. Em vários desses episódios, indígenas recolheram projéteis e fragmentos que foram entregues à Polícia Federal.

    Investigação pela PF

    Após os primeiros registros da violência, a Polícia Federal assumiu integralmente a investigação, com apoio das forças estaduais apenas em ações pontuais, conforme esclareceu a Secretaria de Segurança Pública. A PF realizou diligências no local, colheu depoimentos e promoveu perícias em diferentes pontos da fazenda e da área retomada.

    O Ministério dos Povos Indígenas publicou nota oficial manifestando pesar pela morte do indígena e cobrando investigação rigorosa contra os grupos armados que atuam na região. O órgão acionou a Funai e equipes do Departamento de Mediação de Conflitos, acompanhando todas as medidas adotadas pelo Governo Federal.

    O Ministério também destacou que, nos meses anteriores ao ataque, foi criado um Grupo de Trabalho Técnico responsável por estudos e levantamentos destinados à mediação de conflitos fundiários no sul do Estado.

    Decisão restringe atuação da PM

    Diante dos fatos, a Justiça Federal concedeu tutela provisória de urgência proibindo a atuação da Polícia Militar e de outras forças estaduais na área retomada. A decisão, assinada pelo juiz federal Lucas Miyazaki dos Santos, determina que o Estado se abstenha de realizar qualquer ação de despejo, retirada de indígenas ou esvaziamento de barracos no território ocupado.

    A medida busca evitar confrontos e garantir segurança às famílias Guarani Kaiowá enquanto as investigações prosseguem. A decisão judicial reforça que a responsabilidade pela condução das ações permanece exclusivamente com a Polícia Federal.

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