Mato Grosso do Sul já registra, em determinados períodos do dia, produção de energia acima do consumo local. A constatação aparece em relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que vê no estado um cenário de exportação de potência em horários de menor demanda.
Segundo o documento, essa tendência deve se fortalecer com a chegada de novos empreendimentos, especialmente usinas fotovoltaicas. O problema, porém, é que o crescimento da geração já começa a pressionar a infraestrutura elétrica disponível.
O ONS cita carregamentos elevados em áreas próximas às fronteiras com outros estados. Entre os pontos observados está a subestação de Ilha Solteira 2, na divisa com São Paulo, considerada importante para o escoamento da energia produzida em Mato Grosso do Sul. O relatório também alerta para a ligação entre Dourados e o Paraná, onde há risco de sobrecarga tanto em operação normal quanto em situações de contingência.
O levantamento destaca ainda o avanço da geração distribuída, como os sistemas solares instalados em telhados, que em alguns momentos já supera a carga atendida nas redes de distribuição. No caso de Mato Grosso do Sul, o ONS informa que houve carga líquida negativa com valores mínimos de até 906 MW, indicando excedente de energia injetada no sistema.
Apesar do aumento na produção, o órgão avalia que a expansão dessa geração, por não ser totalmente controlável, pode causar desequilíbrio entre oferta e consumo. Em cenários mais críticos, o relatório prevê até a possibilidade de corte manual da geração distribuída, mediante solicitação do próprio ONS.
O documento reforça a necessidade de obras estruturais para ampliar a capacidade da rede, já que os sinais de limite aparecem não apenas na distribuição, mas também na transmissão, responsável por levar a energia para outras regiões.
Fonte: Campo Grande News




