Uma pesquisa desenvolvida na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) aponta um novo caminho para o diagnóstico de dengue, chikungunya e febre amarela. O método combina espectroscopia no infravermelho com inteligência artificial e, segundo o coordenador do estudo, pode entregar resultados em cerca de um minuto por amostra.
O trabalho é conduzido pelo professor Cícero Cena, doutor em Ciência dos Materiais e docente do Instituto de Física. Ele explica que a técnica não procura um vírus específico ou um marcador isolado, mas analisa a chamada assinatura molecular da amostra, observando padrões nas vibrações das moléculas presentes no material coletado.
De acordo com o pesquisador, a tecnologia já alcança 95% de acurácia e pode reduzir custos em até 100 vezes em comparação com testes tradicionais. As amostras usadas na pesquisa são fornecidas pelo Lacen-MS e pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA), que também fazem análises convencionais para comparação dos resultados.
O estudo começou em 2025 e já analisou 200 amostras, acima do mínimo de 40 citado pelos pesquisadores. A classificação dos dados usa aprendizado de máquina, com um grupo de amostras para treinar o sistema e outro, sem identificação, para testar se o método consegue diferenciar pacientes infectados e não infectados, além de separar doenças com sintomas parecidos.
O projeto também integra uma frente maior voltada a sete doenças negligenciadas: dengue, chikungunya, febre amarela, tuberculose, leishmaniose, malária e doença de Chagas. A meta é reunir os dados em um único modelo preditivo, com potencial de uso futuro no SUS. A pesquisa ainda precisa passar por validação em ambiente real antes de chegar à população.
Além de simplificar etapas e dispensar reagentes, o método pode abrir espaço para versões mais acessíveis, inclusive com dispositivos portáteis. O equipamento usado no estudo tem custo estimado em cerca de R$ 10 mil e vida útil de até 10 mil horas. A equipe reúne três pós-graduandas e conta com parceria da UFMS, Instituto Evandro Chagas, Fiocruz, Ministério da Saúde, CAPES, CNPq e Universidade de Reims, na França.
Fonte: Campo Grande News




