A suspeita em torno da judicialização de um remédio oncológico específico dentro da Secretaria Estadual de Saúde ajudou a desencadear a Operação OncoJuris, que apura um esquema de desvio de recursos públicos na compra fraudulenta de medicamentos de alto custo em Mato Grosso do Sul.
Segundo o governador Eduardo Riedel, o caso começou a chamar atenção há cerca de cinco meses, quando a pasta identificou o uso recorrente da via judicial para aquisição de remédios. Ele disse que a preocupação era com o volume desse tipo de demanda, que somou R$ 100 milhões no ano passado.
Riedel afirmou que, diante de um medicamento específico, a secretaria acionou a Corregedoria e a Polícia Civil para aprofundar a apuração. Ele comentou o assunto durante a inauguração do 5º andar do Hospital do Câncer, em Campo Grande.
Na operação deflagrada em 23 de abril, a investigação foi apresentada como iniciada em setembro de 2025, após alerta do NAS, setor da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, que teria identificado um padrão incomum em ações judiciais. A ofensiva reuniu Dracco, MPMS, Defensoria Pública e Receita Federal e cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
Cinco pessoas foram presas: os farmacêuticos Reginaldo Pereira dos Santos e Luiz Henrique Marino, os advogados Altair Penha Malhada e Victor Guilherme Lezo Rodrigues, além do ex-servidor Guilherme de Oliveira Neto. Eles são investigados por organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades na área da saúde.
De acordo com a força-tarefa, o grupo atuaria em quatro núcleos — administrativo, jurídico, empresarial e de importação — para viabilizar ações judiciais e a compra de remédios, muitos deles sem registro na Anvisa e revendidos por valores muito acima do original. A estimativa é de que o esquema tenha movimentado ao menos R$ 78 milhões em recursos públicos.
Fonte: Campo Grande News




