A Corregedoria do Detran-MS identificou um esquema com cerca de 2 mil fraudes em registros de semirreboques, em casos que remontam a 2022. Segundo ofício datado de 23 de abril, as irregularidades envolvem principalmente mudanças nas características dos veículos, como a inclusão de terceiro ou quarto eixo, sem que houvesse vistoria presencial em Mato Grosso do Sul.
De acordo com o documento, a suspeita surgiu após a entrada de veículos de vários estados na base do órgão, com registros de transferência, alteração de dados e até mudança de propriedade. Em alguns casos, os proprietários informaram que os veículos nunca estiveram no Estado, o que reforça a hipótese de inserção indevida de informações no sistema público.
O material encaminhado pelo Detran indica que os procedimentos suspeitos podem ter beneficiado veículos fora das regras, já que a inclusão de eixo aumenta a capacidade de carga e pode trazer vantagem no transporte. Para tentar comprovar as irregularidades, a corregedoria busca dados de circulação em sistemas nacionais, como o Córtex, para verificar se os veículos estavam em outro estado no momento em que a vistoria teria sido registrada em Mato Grosso do Sul.
Ao Campo Grande News, o corregedor Odorico Mesquita afirmou que as apurações continuam porque há milhares de casos sob análise. Segundo ele, os dados apontam que esses veículos não estiveram em Mato Grosso do Sul para passar por vistoria e formalizar alteração de característica. O ofício também solicita informações de passagens de veículos relacionados a transações feitas em 2022.
Mesquita disse ainda que as fraudes foram interrompidas em 2024, com a obrigatoriedade da vistoria eletrônica e a criação do MAC, mecanismo desenvolvido pela Diretoria de Tecnologia e Informação do Detran. Como há indícios de crimes, como inserção de dados falsos e possível atuação de grupo organizado, o caso foi enviado à Polícia Civil. O órgão também tenta recuperar registros mais antigos para reforçar a investigação.
O tipo de fraude descrito no ofício repete um padrão já identificado no Detran em outras apurações. Em 2023, o Campo Grande News mostrou que a chamada cadeia criminosa do 4º eixo já havia sido alvo de operações da Polícia Civil, com suspeitas de regularização de carretas no papel, sem vistoria presencial e com veículos que sequer precisavam vir ao Estado.
Fonte: Campo Grande News




