A Justiça acatou denúncia feita pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e tornou réus os 17 investigados pela Operação Gutenberg, desencadeada em julho e que apura desvio de R$ 27 milhões dos cofres públicos.
A decisão foi proferida pelo juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Competência Residual de Campo Grande.
A organização, segundo as investigações, utilizava a estrutura da saúde pública como forma de fraudar licitações de venda de livros paradidáticos para diversas prefeituras do Estado.
As suspeitas que resultaram na operação são de fraude em licitações, corrupção e organização criminosa.
De acordo com notícia do Campo Grande News, quatro réus são da família Jafar, herdeiros da Gráfica Alvorada. A lista tem Rossana Paroschi Jafar (empresária e cirurgiã-dentista), Giovanni Paroschi Jafar (empresário), Olívia Paroschi Jafar (médica) e Felipe Paroschi Jafar (que foi exonerado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos após a operação).
Outro nome relacionado ao clã Jafar e divulgado na notícia do CGNEWS é Rhayane Souza Fanaia. Ela foi casada com Giovanni Jafar e foi a primeira administradora formal da Editora Avante (que já se chamou Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda). A estratégia, segundo a investigação, foi para ocultar a participação da família Jafar no negócio. Com sede em São Paulo (SP), a editora é apontada como epicentro de um esquema de corrupção. Antes de abrir a Avante, Rhayane era dona de brechó na Capital.
A lista ainda tem o empresário Heyder Bartz (foragido desde a operação do Gaeco), o empresário Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt (então coordenador do Complexo Regulador Estadual), Jessyca Duarte Burgatt (filha de Ed Carlo), o advogado Gabriel Taquino de Paula (emissário da editora para vendas), Joatan Gomes Peixoto e Matheus Oliveira Peixoto (segundo dono da editora e seu filho).
Além de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique Melo (empresários ligados à Atalaia Veículos), Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior (conhecido como Júnior Vasconcelos e ex-prefeito de Fátima do Sul), Valesca Thais Albuquerque Teixeira (terceira responsável pela Avante durante os três anos de investigação), e Inácio da Silva Espíndola (ex-servidor comissionado na Casa Civil do governo de Mato Grosso do Sul e ex-vereador de Laguna Carapã).
Presunção – A defesa de Paulo e Douglas reafirma a total Improcedência das imputações. “Recebimento de valores nas contas dos acusados e de suas empresas são resultado de negócios regulares que firmaram com dois dos envolvidos. A acusação se apoia em ‘presunção’ de que esse recebimento seria lavagem de dinheiro e que por isso ambos integrariam organização criminosas (quando Paulo e Douglas sequer conhecem os demais envolvidos e nenhuma vinculação com eles)”, afirma o advogado Luís Ojeda.
A defesa dos empresários ainda sustenta que a prisão preventiva se apoia em premissas falsas e sem qualquer prova. “A decisão que decretou a prisão está cheio de vícios e ilegalidades e está sendo combatida no foro adequado. Confiamos que a Justiça restabelecerá o direito e que, no devido processo legal, os acusados comprovarão a licitude dos negócios que firmou com dois dos envolvidos e, por consequência, a licitude dos recebimentos”.
“O recebimento da denúncia marca o início do processo em juízo, concedendo aos réus a oportunidade de oferecer a resposta à acusação. Estamos atentos e vamos demonstrar a precariedade formal e material da acusação”, afirma o advogado José Belga Assis Trad, que atua na defesa de Giovanni Jafar.
A advogada Beatriz Pontes Navarini, que faz a defesa de Heyder, destacou essa etapa do processo não representa qualquer juízo de culpa. “Reiteramos nossa absoluta confiança de que, ao longo da instrução processual, com a produção das provas e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, todos os fatos serão devidamente esclarecidos, demonstrando a efetiva realidade da atuação de Heyder.
Os denunciados pelo PMMS são:
Rossana Paroschi Jafar
Olívia Paroschi Jafar
Felipe Paroschi Jafar
Giovanni Paroschi Jafar
Rhayane Souza Fanaia
Ed Carlo Britto Burgatt
Jéssyca Duarte Burgatt
Joatan Gomes Peixoto
Matheus Oliveira Peixoto
Francisco Anízio dos Santos
Douglas Henrique de Melo
Paulo Rogério de Melo
Gabriel Taquino de Paula
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior
Heyder Bartz (foragido)
Inácio da Silva Espíndola
Operação Gutenberg
A operação foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) no dia 7 de julho para cumprir 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão.
Ao todo, 15 pessoas foram presas em Campo Grande, Dourados e uma no Estado de Goiás, enquanto um dos investigados, Heyder Bartz, continua foragido.
Os agentes também apreenderam mais de R$ 70 mil em dinheiro vivo e milhões de reais em cheques já preenchidos.
Fonte: Panorama do MS




