Vinda de Alfredo Gaspar tem relação com apoio à reeleição de Rodolfo Nogueira, o “Gordinho do Bolsonaro”, como deputado federal
Notícia exclusiva do jornal Correio do Estado, de Campo Grande, divulga que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado essa semana como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), virá para Mato Grosso do Sul durante a campanha eleitoral.
A vinda de Gaspar ao estado seria para declarar apoio à reeleição de Rodolfo Nogueira, o “Gordinho do Bolsonaro”, como deputado federal. Ambos conversaram por ligação durante a tarde desta sexta-feira (07).
“Eu tenho estima e gratidão por você. Você é um cara que me deu a mão. Quero poder participar ativamente da sua campanha. O Mato Grosso do Sul precisa saber o quanto você é importante para o Brasil”, afirmou o candidato a vice.
Ainda segundo Gaspar, Rodolfo foi um dos principais responsáveis pela sua filiação ao Partido Liberal (PL) em março deste ano, assumindo a presidência da sigla em Alagoas.
Quem é Alfredo Gaspar?
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, de 55 anos, é deputado federal por Alagoas e consolidou trajetória na vida pública após atuar por 24 anos como promotor de Justiça no Ministério Público Estadual. “Você escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com história de vida de muito trabalho. Ao seu lado, marcharei para transformar o Brasil em um local justo e decente”, disse Gaspar ao lado de Flávio Bolsonaro, no anúncio desta quarta-feira.
Nascido em Maceió e formado em Direito pelo Cesmac, ganhou forte notoriedade regional ao coordenar o Grupo Especial de Combate à Corrupção ou Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) e ao ocupar por duas vezes o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas.
Também passou pela Secretaria da Segurança Pública do estado. Na política eleitoral, disputou a prefeitura de Maceió em 2020, indo ao segundo turno contra JHC, e elegeu-se deputado federal em 2022.
Em março de 2026, Alfredo Gaspar filiou-se ao PL e assumiu o comando da sigla em seu estado natal. Na Câmara dos Deputados, projetou-se nacionalmente ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Acusação
No dia 27 de março, durante sessão da CPMI do INSS, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou Alfredo Gaspar de “estuprador” enquanto o deputado apresentava o relatório final da comissão. Gaspar reagiu imediatamente: “Eu estuprei corruptos como vossa excelência”, o que provocou um intenso bate-boca entre os parlamentares. No mesmo dia, a senadora Soraya Thronicke (PSB) também acusou Gaspar de estupro de vulnerável.
Após a sessão, Lindbergh e Soraya concederam entrevista coletiva para explicar as declarações. Segundo o deputado petista, ele decidiu tornar pública a denúncia por considerar as acusações extremamente graves.
De acordo com os parlamentares, os fatos teriam ocorrido há oito anos, em Alagoas. Eles afirmam que uma criança, vítima de estupro de vulnerável, teria engravidado e dado à luz um filho de Alfredo Gaspar.
Também alegam que há uma segunda vítima, hoje com 21 anos, e que o material entregue às autoridades inclui diálogos, gravações e informações sobre supostos pagamentos entre R$ 70 mil e R$ 400 mil para compra de silêncio.
Lindbergh e Soraya afirmam que optaram por não divulgar detalhes do caso para preservar a identidade das vítimas. Eles informaram ainda que protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal acompanhada das supostas provas e sustentam que um exame de DNA seria suficiente para confirmar ou afastar as acusações.
Alfredo Gaspar nega todas as acusações. Após as declarações dos parlamentares, o deputado acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com uma queixa-crime por calúnia e difamação contra Soraya Thronicke e Lindbergh Farias. Na ação, sua defesa afirma que Gaspar “é casado há 36 anos com o único amor de sua vida, vivendo sob o signo dos ensinamentos e valores da fé cristã” e que “jamais cometeu a atrocidade criminosa sórdida” atribuída a ele.
Os advogados também sustentam que as acusações fazem parte de uma “trama sórdida e criminosa” destinada a intimidar o parlamentar e comprometer as conclusões do relatório apresentado por ele na CPMI do INSS.
O processo está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que, em abril, determinou que Soraya Thronicke e Lindbergh Farias apresentassem esclarecimentos em até 15 dias. Apesar da decisão, a petição permaneceu sem andamento por meses.
Na quinta-feira (6), a defesa de Alfredo Gaspar voltou a pedir providências à Procuradoria-Geral da República, e pediu imediata apuração do caso. Os advogados apresentaram o perfil genético do deputado e informaram que ele permanece à disposição para realizar um novo exame de DNA.
Também na quinta-feira, Alfredo Gaspar reforçou publicamente o pedido para que a investigação avance por meio da prova genética. “Estou implorando, façam o exame de DNA, a prova científica”, declarou.
Enquanto o STF pede que os parlamentares apresentem esclarecimentos complementares sobre as acusações de estupro de vulnerável feitas contra Gaspar, a PGR solicitou à Polícia Federal (PF) diligências para apurar os fatos narrados pelos parlamentares, que afirmam possuir provas do caso e dizem que irão colaborar com a investigação.
Surpresa
Ao lado da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP-MS), que era a primeira opção, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro anunciou o nome do deputado federal Alfredo Gaspar para ocupar a vaga de vice na chapa “puro-sangue” na disputa pelo Palácio do Planalto. O anúncio surpreendeu a quem acompanhava o evento, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (5-08).
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Fonte: Panorama do MS




