Separações e perdas mostram como artistas que marcaram uma fase da vida permanecem presentes nas memórias dos fãs, mesmo anos depois
Raysa Almeida/Tv Sobrinho –
Existem músicas que a gente simplesmente escuta. Outras parecem guardar uma época inteira da nossa vida. Basta os primeiros acordes para lembrar de um lugar, de uma pessoa, de uma fase e até mesmo de quem éramos quando aquela canção chegou aos nossos ouvidos.
No meu caso, uma dessas histórias tem nome, Conrado e Aleksandro.
Minha primeira conexão com a dupla aconteceu em 2012 , quando eu passava as férias escolares no sítio dos meus avós. Na época, meu tio, que também era muito fã da dupla, me apresentou às músicas dos dois. Eles estavam divulgando o DVD Plano B , e uma das canções que mais chamava atenção era “Certos Detalhes” , gravada em parceria com Luan Santana.
Foi a partir dali que comecei a acompanhar Conrado & Aleksandro junto com meu tio.
O que começou como uma descoberta durante as férias acabou se transformando em uma paixão compartilhada. Meu tio era tão fã quanto eu e, com o passar dos anos, a dupla passou a fazer parte das nossas conversas, das músicas que ouvíamos e das histórias que acumulamos.
Quando a música vira memória
Para quem olha de fora, pode parecer apenas uma preferência musical. Mas quem é fã sabe que não é tão simples.
Conrado & Aleksandro, para mim, estão ligados diretamente à infância e à adolescência. Às férias no sítio dos meus avós. Às tardes ouvindo música com meu tio. À descoberta de um DVD novo. À expectativa por novas canções.
A dupla que marcou tantas lembranças também passou por mudanças ao longo dos anos. Em 2019, Conrado Bueno decidiu deixar o projeto após anos na estrada . O cantor afirmou que estava cansado da rotina de viagens e que precisava se dedicar a questões pessoais.
Aleksandro, então, decidiu seguir com o projeto e passou a dividir os palcos com João Vitor Soares, que assumiu o nome artístico de Conrado.
Poucos anos depois, porém, a história seria novamente interrompida de uma maneira muito mais dolorosa. Em 2022, Aleksandro morreu em um acidente envolvendo o ônibus da dupla, encerrando de forma trágica uma trajetória que havia começado muitos anos antes.
As canções continuaram disponíveis. Os vídeos continuaram na internet. As lembranças continuaram existindo.
Mas a dupla, daquela forma que eu conheci em 2012, não existia mais.
E existe algo doloroso nisso, a música continua exatamente igual, mas quem a escuta já não é. Talvez seja por isso que seja tão difícil encontrar outra dupla favorita.
O sertanejo continua cheio de artistas talentosos. Novas duplas surgem, músicas fazem sucesso e novas vozes conquistam milhões de pessoas.
Mas será que é possível substituir uma dupla que acompanhou uma parte da nossa vida?
Talvez não.
Não porque os artistas atuais sejam menos importantes, mas porque existe uma diferença entre descobrir uma música e construir uma história com ela.
Hoje, com poucos toques na tela, podemos conhecer dezenas de artistas em um único dia. Uma música viraliza nas redes sociais, ganha milhões de reproduções e, pouco tempo depois, pode ser substituída por outra.
Antes, acompanhar uma dupla parecia exigir mais tempo.
Era esperar um DVD, ouvir uma música no rádio, procurar uma gravação, comprar um CD, acompanhar os shows e esperar por um novo lançamento.
Nesse processo, a relação com o artista ia sendo construída aos poucos. E talvez seja justamente esse tempo que transforme uma música em memória.
Algumas duplas nunca vão embora
Quando uma dupla se separa ou quando um dos integrantes morre, não desaparecem as músicas nem aquilo que elas significaram. Pelo contrário, para os fãs, algumas canções passam a funcionar como verdadeiras cápsulas do tempo.
No meu caso, ouvir Conrado & Aleksandro é voltar para 2012. É lembrar das férias no sítio dos meus avós e das músicas que meu tio me mostrou. É lembrar do Plano B , de “Certos Detalhes” e de todas as histórias que vieram depois.
No fim, talvez seja por isso que encontrar uma nova dupla favorita pareça tão difícil.
A gente pode gostar de novos artistas. Pode acompanhar novos lançamentos. Pode cantar novas músicas, Mas algumas vozes já têm endereço permanente dentro da nossa memória.
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Fonte: TV Sobrinho




