Valor registrado até julho é quase quatro vezes maior que o total apreendido em todo o ano passado; fiscalização mira fronteiras, transportadoras e vendas pela internet
TaNaMidiaNavirai –
O mercado clandestino de medicamentos para emagrecimento ganhou força em Mato Grosso do Sul e já movimenta números expressivos nas ações de fiscalização. Entre janeiro e 13 de julho de 2026, a Receita Federal contabilizou R$ 5,9 milhões em canetas emagrecedoras apreendidas no Estado, valor que representa aproximadamente 3,9 vezes o registrado durante todo o ano passado.
A diferença também chama atenção quando os dados são comparados com 2024. Naquele ano, as apreensões somaram cerca de R$ 2 mil. Em 2025, o montante chegou a R$ 1,5 milhão e, em pouco mais de seis meses de 2026, alcançou R$ 5,9 milhões.
O cenário estadual acompanha uma expansão observada em outras regiões do País. No primeiro semestre deste ano, a Receita Federal registrou mais de R$ 80 milhões em apreensões de canetas emagrecedoras em território nacional, contra aproximadamente R$ 4 milhões no mesmo período de 2025.
Os números não indicam necessariamente a quantidade exata de canetas retiradas de circulação, já que os valores correspondem às mercadorias apreendidas e podem envolver diferentes produtos e apresentações. Por isso, não é possível calcular diretamente o número de unidades apenas a partir do montante financeiro.
Parte do problema está relacionada à circulação de produtos que não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para comercialização no Brasil. A oferta irregular ocorre tanto por meio de rotas terrestres e fronteiras quanto pela internet, onde medicamentos são anunciados por vendedores sem autorização.
Mato Grosso do Sul ganhou destaque nesse cenário por fazer fronteira com o Paraguai e por ser apontado como uma das principais áreas de entrada e distribuição desses produtos. Levantamentos recentes também indicam forte procura on-line por canetas sem registro sanitário no Estado.
Além da questão tributária e da concorrência com empresas que atuam dentro da legalidade, a comercialização clandestina preocupa autoridades por causa dos riscos à saúde. Produtos sem registro ou autorização sanitária podem chegar ao consumidor sem as garantias necessárias de procedência, qualidade, armazenamento e segurança.
Em Mato Grosso do Sul, ações de fiscalização também vêm encontrando grandes volumes de produtos irregulares. Em uma operação realizada em junho, por exemplo, foram apreendidas 2.225 canetas emagrecedoras e ampolas de produtos estéticos em uma transportadora de Campo Grande, com valor estimado em aproximadamente R$ 1 milhão.
O avanço das apreensões demonstra o tamanho do desafio enfrentado pelos órgãos de fiscalização diante da crescente procura por medicamentos para emagrecimento. Ao mesmo tempo em que a demanda aumenta, autoridades ampliam o monitoramento de fronteiras, transportadoras e plataformas digitais para impedir a circulação de produtos sem autorização sanitária.
Fonte: TV Sobrinho




