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11/09/2026
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    O que é ser invisível na sociedade?

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    Coluna inspirada no filme ‘A Hora da Estrela’ – adaptação ao livro da escritora, Clarice Lispector

    Carina Yano/Tv Sobrinho –

    “Eu não acho que sou muita gente.”

    Acho que essa foi uma das frases mais impactantes do filme ‘ A Hora da Estrela ’ de 1985, uma adaptação do livro da escritora brasileira, Clarice Lispector.

    Assisti essa obra recentemente e fiquei muita surpresa com o que eu vi.

    Uma história cheia de simplicidade, crua, real, triste, ingênua e ao mesmo tempo cômica. Não sei como conseguiram conciliar tudo isso.

    É incrível como todos os diálogos possuem um peso gigantesco, mesmo sendo uma simples frase.

    O enredo mostra uma garota órfã de 19 anos que trabalha em um lugar por menos de um salário mínimo como datilógrafa.

    A garota se chamava Macabéa e morava num apartamento com mais três mulheres.

    Macabéa era nordestina e havia se mudado para o Rio de Janeiro em busca de melhoria na própria vida.

    Infelizmente, Macabéa não vivia, ela apenas sobrevivia. Não apenas no sentido financeiro, mas principalmente no sentido existencial .

    Geralmente nós discutimos coisas sobre solidão, tristeza, desesperança entre outras coisas similares da vida. Quando se trata dessa história especificamente, é difícil explicar o vazio que é retratado na vida de Macabéa.

    A impressão que fica é que ela não tem uma noção de EU . Existe uma ingenuidade muita grande na personagem que ultrapassa a paciência de outros que convivem com ela.

    Macabéa tenta existir num mundo onde ela é menosprezada e desrespeitada. Mesmo ela ouvindo horrores sobre si mesma, ela não reage. É como se ela nunca tivesse aprendido sobre certas coisas da vida, principalmente sobre a imposição de limites.

    Ela acabava sendo submissa em diversas situações, não por vontade, mas por achar normal.

    Só que no fundo ela sentia o peso. Eu acredito que sim.

    Sua forma mais autêntica de se conectar com o mundo, era através de um rádio. O programa se chamava ‘Rádio Relógio’. Lá, ela conseguia ter conhecimento sobre diversas curiosidades e temas.

    Apesar da sua incapacidade de se reconhecer como ‘gente’, certa vez Macabéa disse:

    – Ontem eu escutei uma música tão linda que eu até chorei.

    As pessoas ao seu redor poderiam até enxergá-la, mas escolhiam não olhar para ela. Deu para entender?

    Macabéa era julgada de diversas formas. Pelo seu trabalho, pelo seu cheiro e principalmente pela sua aparência.

    Honestamente, acho que não existe coisa mais triste do que ser tão invisível como ela era.

    O fato de um bicho não ter consciência dele ser o que é , ou da importância da felicidade, é totalmente compativel com o sentimento de Macabéa.

    Uma “colega” de Macabéa uma vez perguntou pra ela:

    – Você é feliz?

    Ela respondeu:

    – Felicidade serve pra quê ?

    Além do vazio de ser invisível, também é triste a condição de não se reconhecer como individuo.

    Depois que eu assisti esse filme fiquei com vontade de ler o livro. E após umas pesquisas, percebi uma coisa muito forte sobre a obra.

    Quantas realidades deste nível não deve existir por ai? Quantas Macabéas deixamos de dar atenção? Qual a quantidade de pessoas invisíveis que existem na vida?

    Por incrível que pareça, geralmente, essas pessoas são muito interessantes.

    Assim como Macabéa era no filme. Apesar de toda a sua dificuldade e escassez de repertório cultural e de comportamento, o seu jeito de ser era singular e questionador.

    Ela acreditava e sonhava com o seu momento de glória .

    Não irei dar mais detalhes sobre a história, se não estrago a sua experiência com os spoilers.

    Mesmo com toda essa carga pesada que é a história de Macabéa, ainda terá cenas para te tirar um pequeno riso.

    Como está cena abaixo:

    *Yano Terapias apoia o trabalho desta colunista.

    Carina Yano tem 30 anos e é formada em fotografia com três fotos publicadas na Vogue Itália. Trabalhou durante 7 anos como jornalista. No momento trabalha como massoterapeuta, colunista da Tv Sobrinho e Youtuber. Seu amor pela escrita é um romance antigo. Desde a sua adolescência escrevia, mas só agora teve a oportunidade de expor em público suas reflexões.

    * O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.

    Fonte: TV Sobrinho

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