14/09/2026
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    Do campo à indústria, investimentos ampliam empregos e renda em Mato Grosso do Sul

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    Com R$ 115 bilhões em investimentos privados entre projetos concluídos, em execução e previstos, estratégia do Governo Riedel aposta na industrialização da produção agropecuária e coloca a qualificação profissional entre os novos desafios do Estado

    A expansão da agroindústria e de outros setores está mudando o mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul, onde algumas empresas já enfrentam dificuldade para encontrar profissionais qualificados. O Estado reúne R$ 115 bilhões em investimentos privados concluídos, em execução ou previstos até 2030, com potencial para 18 mil empregos diretos. A gestão de Eduardo Riedel aposta em infraestrutura, atração de empresas e qualificação profissional para ampliar os efeitos desse crescimento sobre emprego e renda.

    Em algumas áreas da economia de Mato Grosso do Sul, o desafio começa a mudar de endereço. Se durante décadas a principal preocupação foi abrir postos de trabalho, hoje parte das empresas já enfrenta outra dificuldade: encontrar profissionais preparados para ocupar as vagas que surgem com a expansão da indústria, dos serviços e de novas cadeias produtivas no interior.

    É uma mudança que a diretora-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Marina Hojaij Carvalho Dobashi, acompanha de perto. Para ela, o mercado de trabalho aquecido revela tanto o avanço econômico quanto um novo desafio para trabalhadores, empresas e poder público.

    “Hoje podemos afirmar que Mato Grosso do Sul vive um mercado de trabalho aquecido. O crescimento econômico, aliado aos grandes investimentos privados e às políticas públicas voltadas à empregabilidade, tem ampliado significativamente a oferta de vagas. Em algumas áreas, o desafio já não é criar empregos, mas formar profissionais qualificados para atender à demanda das empresas”, afirma.

    Esse cenário está ligado a uma transformação mais ampla da economia sul-mato-grossense. Sob a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, o Estado tem buscado aproveitar sua tradicional força agropecuária para avançar também sobre outra etapa da cadeia: a industrialização daquilo que é produzido no campo.

    Na prática, a estratégia procura fazer com que uma parcela maior da riqueza permaneça em Mato Grosso do Sul. Em vez de apenas produzir e enviar matéria-prima para outros centros, a expansão da agroindústria permite processar essa produção no próprio Estado, movimentando fábricas, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio das cidades onde os empreendimentos se instalam.

    Municípios como Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul estão entre os exemplos desse movimento de interiorização dos investimentos. Serviços e indústria aparecem entre os setores com maior participação na geração de empregos, ao lado de atividades ligadas ao agronegócio, à bioenergia, à logística e à construção civil.

    A dimensão dessa transformação aparece na carteira de investimentos privados. Entre 2023 e 2030, Mato Grosso do Sul reúne mais de R$ 115 bilhões em empreendimentos concluídos, em execução ou previstos. Desse total, aproximadamente R$ 27 bilhões já foram concluídos, R$ 60 bilhões estão em execução e outros R$ 29 bilhões integram projetos futuros.

    Quando entrarem em operação, esses empreendimentos têm potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos. A indústria já representa 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

    Mas abrir uma fábrica não significa automaticamente garantir que os empregos sejam ocupados pela população local. É justamente aí que o diagnóstico apresentado por Marina Dobashi ganha importância: o novo ciclo econômico exige também formação profissional capaz de acompanhar a velocidade dos investimentos.

    Por isso, a atração de empresas vem sendo acompanhada por iniciativas de qualificação da mão de obra, com o objetivo de preparar trabalhadores para funções demandadas pelos novos empreendimentos. O movimento também ocorre em um Estado que atualmente possui a sétima maior renda média do trabalhador do Brasil.

    Para Riedel, atrair investimentos depende de uma combinação que vai além de incentivos fiscais ou disponibilidade de terras. Estradas, energia, conectividade, saneamento e mão de obra qualificada interferem diretamente na decisão de uma empresa de instalar uma unidade produtiva.

    “Ser um Estado verdadeiramente atrativo requer visão de futuro, planejamento e muito trabalho”, afirma. Segundo o governador, essa visão passa pela definição dos caminhos capazes de tornar Mato Grosso do Sul mais competitivo e preparado para atender tanto o mercado brasileiro quanto o exterior.

    A lógica, segundo o governador, envolve também o outro lado dessa transformação: as condições encontradas por quem chega para trabalhar ou decide permanecer nas cidades que recebem os investimentos.

    “Para um grupo industrial, por exemplo, decidir instalar uma nova unidade, ele certamente considera se a região dispõe de recursos como estradas, energia, internet, saneamento básico, matéria-prima e trabalhadores”, explica.

    O trabalhador, acrescenta o governador, olha para uma lista igualmente concreta: “moradia, ruas asfaltadas, água na torneira, escolas, unidades de saúde e supermercados”.

    É nessa relação entre grandes investimentos e vida cotidiana que a política de desenvolvimento econômico pretende avançar. Uma indústria instalada no interior pode significar novos postos de trabalho, mas também pressiona cidades por habitação, serviços públicos, infraestrutura e profissionais preparados para as vagas criadas.

    Por isso, a consolidação desse ciclo dependerá não apenas de manter Mato Grosso do Sul como destino de novos empreendimentos, mas de fazer com que os benefícios econômicos se espalhem pelas comunidades que os recebem.

    A observação feita pela dirigente da Funtrab sintetiza esse próximo desafio. Com as vagas surgindo em diferentes regiões e setores, formar trabalhadores em ritmo suficiente para aproveitar as oportunidades passa a ser parte essencial da mesma estratégia que trouxe os investimentos. Afinal, para que a industrialização do campo se transforme efetivamente em desenvolvimento, o emprego precisa encontrar quem possa ocupá-lo — e a riqueza produzida precisa chegar à vida de quem mora e trabalha no Estado.

    Foto: Saul Schramm

    Fonte: Panorama do MS

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