21/09/2026
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    Do tatame de Itaporã para o mundo: Emanuely transforma apoio ao esporte em sonho internacional

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    Bolsa Atleta ajuda jovem judoca a manter a trajetória nas competições; classificada para o Pan-Americano no México, ela ainda busca recursos para representar Itaporã, Mato Grosso do Sul e o Brasil

    A judoca Emanuely Ávila Pinto, de Itaporã, garantiu vaga no Pan-Americano de Judô de 2026, no México, após se destacar em competições estaduais e nacionais. Beneficiada pelo Bolsa Atleta, ela ainda busca recursos para custear a viagem. O programa estadual recebe R$ 4,3 milhões anuais e ajuda famílias como a de Eliane Ávila, mãe solo de três jovens judocas, a manter os filhos no esporte.

    Quando Emanuely Ávila Pinto entra no tatame, o sonho não é apenas dela. Em casa, há uma mãe que divide esforços para manter três filhos no judô e sabe quanto custa transformar talento em oportunidade. Eliane Fernandes Ávila é mãe solo de Emanuely, Eliezer e Eloísa, todos atletas, e acompanha de perto uma rotina em que viagens, inscrições e competições se tornam parte do orçamento familiar.

    “No meu caso, sou pai e mãe. Então essa ajuda do Governo é de extrema importância. Ajuda muito, muito mesmo. É um programa que faz o diferencial na vida do atleta. Tem chance de estar lá fora, de concorrer a outros campeonatos”, conta Eliane.

    A ajuda à qual ela se refere é o Bolsa Atleta, programa do Governo de Mato Grosso do Sul que integra a trajetória esportiva de Emanuely. Ainda adolescente, a judoca de Itaporã já conquistou resultados que a levaram além das fronteiras do município e agora se prepara para o maior desafio de sua carreira até aqui: o Campeonato Pan-Americano de Judô, marcado para novembro de 2026, em Cancún, no México.

    A classificação veio depois de uma temporada marcada por bons resultados. Emanuely conquistou medalha de ouro nos Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso do Sul e avançou pelas etapas nacionais do Brasileiro Sub-13 e Sub-15. A vaga internacional, porém, trouxe também um novo desafio para a família: reunir os recursos necessários para despesas como viagem, hospedagem e inscrição.

    “É bom, porque tem vez que minha mãe não tem muitas condições de pagar. Aí a gente está em busca de mais incentivo, de mais ajuda, para poder realizar”, explica Emanuely.

    Para a jovem atleta, disputar o Pan-Americano significa mais do que participar de outra competição. É a possibilidade de levar para fora do país o nome de Itaporã, de Mato Grosso do Sul e do Brasil, depois de uma caminhada construída competição por competição.

    É justamente nesse espaço entre talento e possibilidade financeira que o Bolsa Atleta procura atuar. O Governo de Mato Grosso do Sul investe atualmente R$ 4,3 milhões por ano no programa, mantendo o patamar do ciclo 2022/2025. O volume é muito superior ao registrado no início da política, quando foram destinados R$ 534 mil em 2013/2014.

    As bolsas atendem diferentes níveis da trajetória esportiva. Os valores partem de R$ 523,10 na categoria Estudantil e podem chegar a R$ 7.323,40 para atletas olímpicos e paralímpicos medalhistas. Há ainda a categoria Pré-Olímpico, com bolsas de R$ 3 mil.

    Na prática, para famílias como a de Eliane, o programa ajuda a sustentar uma trajetória que exige despesas constantes e que nem sempre cabem sozinhas no orçamento doméstico. Ao mesmo tempo, o caso de Emanuely mostra que a bolsa não elimina todos os obstáculos: mesmo beneficiada, a judoca ainda precisa buscar apoio adicional para viabilizar a participação no torneio internacional.

    Durante agenda em Itaporã, o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, associou políticas como essa à proposta de manter uma atuação adaptada às necessidades de cada município.

    “É assim que a gente quer continuar governando, olhando para cada necessidade e realidade do município”, afirmou Riedel.

    Segundo o governador, a atuação estadual busca combinar investimentos públicos com condições para geração de renda, emprego e desenvolvimento econômico, sem deixar de lado áreas como educação, saúde e infraestrutura.

    Em Itaporã, essa presença se traduz em um conjunto de investimentos que soma R$ 323,9 milhões. Os recursos alcançam desde rodovias e drenagem urbana até escolas, saneamento e serviços de saúde.

    Na saúde, os repasses estaduais passaram de R$ 3,3 milhões em 2023 para R$ 5,1 milhões em 2025. O Hospital Municipal Lourival Nascimento Silva, que possui 23 leitos, também recebe contratualização mensal de R$ 95,5 mil.

    Na educação, são R$ 12,2 milhões destinados às seis escolas estaduais do município, responsáveis pelo atendimento de 1.862 estudantes. No saneamento, os investimentos chegam a R$ 15,5 milhões, enquanto a cobertura de esgotamento se aproxima de 70%.

    Parte expressiva dos recursos está concentrada na infraestrutura viária. A restauração da MS-157 recebeu R$ 77,9 milhões no trecho entre Maracaju e Itaporã e outros R$ 32,6 milhões em um segundo lote, ambos concluídos.

    Outro projeto considerado estratégico é o novo anel viário entre as rodovias MS-156 e MS-157. São R$ 55,3 milhões para pavimentar 13,83 quilômetros e construir uma ponte sobre o Córrego Sardinha. A proposta é retirar parte do tráfego pesado da área urbana e melhorar o escoamento da produção local.

    Dentro da cidade, o pacote inclui obras como a revitalização do calçadão Frei Paulino, intervenções no Complexo Esportivo de Piraporã e melhorias em estradas vicinais. Também estão previstas a pavimentação e drenagem com duplicação da Rua Luiz Alves Filho, investimento de R$ 14,1 milhões, e obras de R$ 10,9 milhões no bairro Brinco de Ouro, além de intervenções no Distrito de Montese.

    Na habitação, o Estado participa com R$ 866,8 mil de contrapartida no projeto Bônus Moradia, que contempla oito unidades subsidiadas, além de investimentos na infraestrutura do Residencial Manoel Joaquim da Silva.

    Para o prefeito Tiago Carbonaro, a participação estadual permite que o município distribua melhor seus próprios recursos e amplie a capacidade de investimento.

    “Toda a interlocução ajuda na administração municipal, dá um fôlego maior para outros investimentos aqui. Enquanto o Governo está levando drenagem e asfalto nos bairros, mudando o cenário de quem está morando, a gente consegue fazer a ‘perfumaria’, embelezando, dando atenção na praça”, afirmou.

    Segundo Carbonaro, aproximadamente 90% dos investimentos de maior porte que atendem as famílias do município contam com participação do Governo do Estado.

    Para Emanuely, entretanto, a medida do investimento público aparece de uma maneira muito mais simples: na possibilidade de continuar entrando no tatame. A vaga para o Pan-Americano já foi conquistada. O desafio agora é conseguir chegar a Cancún.

    Entre treinos, competições e a busca por novos apoios, a adolescente segue perseguindo um objetivo que começou em Itaporã e já atravessou fronteiras. Para sua mãe, cada bolsa, cada viagem viabilizada e cada campeonato disputado representam a possibilidade de os filhos avançarem um pouco mais no esporte. Para Emanuely, representam a chance de transformar anos de treinamento naquilo que todo jovem atleta procura quando pisa no tatame: a oportunidade de ir mais longe.

    Fotos: Saul Schramm

    Fonte: Panorama do MS

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