Medida Provisória proíbe apostas e publicidade do setor; clubes da Série A têm contratos milionários com casas de apostas e influenciadores também terão de interromper divulgações
Entre os maiores contratos estão o do Flamengo com a Betano, de R$ 268,5 milhões por temporada, o do Corinthians com a Esportes da Sorte, de R$ 150 milhões, o do São Paulo com a Superbet, de R$ 113 milhões, e o do Palmeiras com a Sportingbet, de cerca de R$ 100 milhões
Raysa Almeida/Tv Sobrinho –
A proibição das apostas de quota fixa no Brasil atinge diretamente o futebol e o mercado de publicidade digital. A Medida Provisória nº 1.394/2026 determina o fim da exploração e da publicidade das apostas, afetando contratos de patrocínio mantidos por clubes e campanhas realizadas por influenciadores.
Clubes têm bilhões envolvidos em patrocínios
Na Série A do Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes têm atualmente uma casa de apostas como patrocinadora principal . Mirassol e Red Bull Bragantino possuem acordos com empresas do setor para patrocínios secundários, enquanto Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Internacional não têm uma bet como patrocinadora máster.
O impacto financeiro é expressivo. Segundo levantamento da Sports Value, os 20 clubes de maior receita do país movimentaram cerca de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing em 2025, dos quais aproximadamente R$ 1,1 bilhão veio de empresas de apostas. Considerando todas as fontes de receita, os clubes ultrapassaram R$ 15 bilhões no ano, e os patrocínios de bets representaram, em média, cerca de 8% desse total.
O valor pago pelas casas de apostas também cresceu rapidamente: passou de R$ 618 milhões em 2024 para R$ 1,143 bilhão em 2025 entre os 20 maiores clubes.
Entre os maiores contratos estão o do Flamengo com a Betano, de R$ 268,5 milhões por temporada, o do Corinthians com a Esportes da Sorte, de R$ 150 milhões, o do São Paulo com a Superbet, de R$ 113 milhões, e o do Palmeiras com a Sportingbet, de cerca de R$ 100 milhões.
Além dos clubes, as casas de apostas também possuem naming rights de competições e espaços esportivos. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, por exemplo, têm atualmente seus naming rights vinculados à Betano.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou à CNN Brasil que o futebol brasileiro poderia perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas caso a proibição fosse mantida. O valor é uma estimativa apresentada pelo dirigente, e não uma projeção oficial do impacto da medida.
E os contratos dos clubes?
Com a proibição da publicidade e do patrocínio de bets, os clubes não poderão manter a exposição dessas marcas em seus uniformes , espaços físicos ou plataformas digitais enquanto as regras estiverem em vigor.
Algumas empresas já notificaram clubes sobre a possibilidade de cancelamento dos acordos comerciais. A mudança deverá abrir uma disputa sobre contratos, pagamentos e eventuais multas ou indenizações, além da necessidade de os times buscarem novos patrocinadores para substituir as receitas.
Na Série B, o cenário também é relevante: 13 dos 20 clubes possuem algum vínculo com empresas de apostas , sendo que 11 têm acordos de patrocínio principal.
Influenciadores também entram na proibição
A medida não atinge apenas o futebol. Influenciadores, artistas e criadores de conteúdo que recebem para divulgar plataformas de apostas também ficam impedidos de realizar publicidade relacionada às bets.
Na prática, isso inclui campanhas, links de cadastro, códigos promocionais e outros conteúdos destinados a promover ou facilitar o acesso às plataformas.
Com a nova regra, contratos de publicidade entre influenciadores e empresas de apostas também poderão ser interrompidos. O impacto dependerá dos contratos firmados e da forma como cada campanha era realizada.
Medida ainda será analisada pelo Congresso
Apesar de ter força de lei e produzir efeitos imediatos, a Medida Provisória ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Durante a tramitação, o texto pode ser aprovado, alterado ou rejeitado.
Enquanto estiver vigente, porém, as regras estabelecidas pela MP passam a afetar diretamente as empresas de apostas e todos os setores que mantinham relações comerciais com o segmento, incluindo clubes de futebol, competições esportivas, influenciadores e veículos de publicidade.
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Fonte: TV Sobrinho




