Mauricio Collin/TV Sobrinho –
Zé Vicente sofria às lágrimas por Beatriz.
A bela encontrou Eugênio pelo caminho e pelo caminho ficou.
Não mais voltou.
Eugênio, oriundo de um amor sem estribeira,
tipo vagabundo,
sem eira nem beira,
atendia pela graça de
Joana Vieira.
Zé Vicente, de coração partido, sofrido,
sem ninguém para amar,
foi buscar consolo
na mesa de bar.
Seu Antônio,
dono do estabelecimento,
aconselhou o rapaz:
— Deixa para trás tanto sofrimento.
No labirinto da vida,
muitas vezes encontramos guarida
onde menos se espera alento.
Ali, já pela metade da garrafa,
Zé fechou os olhos e pediu ao santo protetor
que aliviasse seu penar,
que lhe tirasse aquela dor.
Queria, de toda maneira,
cometer besteira:
nem que terminasse a vida de forma infeliz, sentia no peito o desejo imundo
de acabar
com Eugênio e Beatriz.
Ainda de olhos fechados,
clamava ao divino
para afugentar o espírito assassino,
quando um perfume de acácia invadiu sua alma,
trocou seu ódio pela paz que acalma.
E, ao abrir a visão,
o descompasso dominou as batidas do seu coração:
a morena mais linda,
de cabelos cacheados,
entrava naquele salão.
Que boniteza!
Quanta formosura!
Uma beleza
que cheirava a doçura,
provocava o desejo,
instigava a loucura.
Sentou sozinha em sua mesa.
Seu rosto carregava uma dor.
Bem provável que a tristeza
era proveniente de amor.
Tomado por essa certeza,
bebeu um copo de sutileza,
se acercou da dama
e, sem convite, sentou-se à sua mesa.
Mas, antes de se apresentar, a morena já lhe disse em bom tom:
— Hoje bebo minha dor
por perder um grande amor.
Meu melhor amigo, esta noite,
com certeza é o garçom.
Sentindo a igualdade no sofrimento,
ele se apresentou em um lamento:
— Me chamo Zé Vicente
e também trago o coração doente.
Perdi Beatriz para Eugênio.
Me falta a vida,
me falta o chão,
do ar me falta o oxigênio.
A dama, num sobressalto,
logo falou:
— Eugênio era o homem da minha vida.
Jurou que sempre me amou.
Encontrou Beatriz e me deixou
quando eu estava profundamente envolvida.
Surpresos pela conjunção do universo,
envoltos pela coincidência,
ele ainda perplexo,
ela tentando entender essa experiência.
A noite se fez dia.
Na mesa, só uma garrafa vazia.
No peito, dois corações que se consolam,
partilham o dissabor.
O que ele buscava em Beatriz, Joana oferecia,
e do amor que ela não tinha em Eugênio, Zé Vicente lhe cobria.
De mãos dadas saíram pela vida,
vivem o amor sem fronteira,
Joana curada da ferida
e Zé, feliz por não ter feito asneira.
Beatriz, com Eugênio, não é feliz.
Não imaginava a vida como ela é.
Passa os dias lembrando com saudade do “seu Zé”.
Eugênio vive de bar em bar tomando a saideira,
sonhando e sentindo o cheiro
de Joana Vieira.
O amor não perdoa deslizes.
Machuca,
abre feridas que se curam,
Porém, deixam
cicatrizes .
Mauricio Collin – 57 anos, nascido em Curitiba, guairense de coração e
japoraense por opção. De família de escritores, carrega no DNA a necessidade de escrever. Já fez textos para rádio, já fez textos para jornal e, em outubro de 2025, publicou seu primeiro livro: Quem Vê Poesia, Vê Coração. Traduzir sentimentos em palavras é sua especialidade.
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Fonte: TV Sobrinho



