Um conjunto de 15 entidades lançou nesta segunda-feira (27) o Observatório Socioambiental, plataforma online que reúne dados de 1980 a 2023 sobre violações de direitos humanos, conflitos fundiários, desmatamento e trabalho escravo ligados à expansão do agronegócio.
Segundo a ferramenta, Mato Grosso do Sul registrou 4.560 ocorrências entre 2002 e 2023. A maior parte está relacionada a disputas fundiárias, com destaque para casos envolvendo povos indígenas guarani. O levantamento aponta ainda que 65,7% das ocorrências no estado dizem respeito ao trabalho escravo, o que representa 2.994 registros.
Na sequência, aparecem os conflitos pela terra, incluindo ocupações, que somam 1.128 registros, ou 24,7% do total. A série histórica indica pico em 2007, mas os dados permanecem elevados até hoje, especialmente em áreas onde avançam o agronegócio e a mineração.
No Centro-Oeste, os maiores números aparecem em Goiás, com 6.291 registros, e Mato Grosso, com 5.987. A base do observatório deve ser atualizada anualmente, com destaque para informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), vinculada à CNBB e parceira central da iniciativa.
Na mesma data, a CPT divulgou a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil, referente a 2025. Em Mato Grosso do Sul, o documento aponta 44 ocorrências, metade delas relacionadas à ocupação e posse de terra. Os conflitos pela água, ligados à poluição e à destruição de nascentes, somaram cinco casos.
No país, o número de assassinatos em conflitos no campo passou de 13 em 2024 para 26 em 2025. Houve um registro em Mato Grosso do Sul. A maior parte das ocorrências ocorreu na Amazônia Legal, enquanto o total de episódios de violência rural caiu de 2.207 para 1.593 no mesmo comparativo.
O observatório é liderado pelo ISPN e reúne organizações como WWF-Brasil, Imaflora, Instituto Centro de Vida, AidEnvironment, Global Canopy, Trase e o Observatório do Matopiba. A plataforma está disponível em https://plataforma.observatoriosocioambiental.com.br. Fonte: Campo Grande News (link).




