A tosa em cães pode ser mais do que uma questão estética. Em animais com problemas de pele, o procedimento pode ter função terapêutica, desde que seja feito com critério e orientação adequada. O alerta é do médico veterinário Antonio Defanti Junior, que aponta riscos tanto no excesso de pelo quanto no corte executado de forma inadequada.
Segundo o especialista, a pelagem muito densa pode reter umidade, secreções e calor, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias. Nesse cenário, a tosa ajuda a pele a respirar e contribui para reduzir fatores que agravam dermatites e outros problemas dermatológicos.
O corte também interfere no tratamento. Pomadas, sprays e shampoos terapêuticos tendem a ser menos eficazes quando o animal está com muito pelo, porque o produto não alcança a pele com facilidade. Com a tosa apropriada, o contato com a derme melhora e o acompanhamento do quadro fica mais eficiente.
Outro ponto destacado é a dificuldade de observar feridas, pústulas e parasitas, como carrapatos, quando eles ficam escondidos sob a pelagem. Sem visibilidade, o tutor pode demorar para perceber a evolução do problema, o que pode complicar uma situação que inicialmente seria mais simples.
Apesar disso, o veterinário reforça que a tentativa de evitar falhas ou mudanças excessivas no visual do animal pode levar a exageros. O uso de lâmina zero, por exemplo, deve ser restrito a recomendação veterinária, geralmente em situações específicas, como tratamentos ou intervenções cirúrgicas, já que a tosa muito rente pode remover a proteção solar natural e causar alopecia pós-tosa.
De acordo com Antonio Defanti Junior, lâminas de altura média, como 4, 5 ou 7, ou o uso de pentes adaptadores, ajudam a manter uma camada de pelo entre 3 milímetros e 1 centímetro. A medida preserva proteção, higiene e um visual mais equilibrado, sem comprometer a saúde do animal.
Fonte: Campo Grande News




