02/11/2026
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    Você vai morrer

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    Carina Yano/Tv Sobrinho –

    Nós temos o costume de tratar a morte como algo longínquo, como tabu e até assunto a ser evitado. Como se fosse vergonhoso morrer.

    “ Tadinho, faleceu .”

    Criamos distância diante de algo completamente natural. E essa distância em vez de ajudar, acaba criando um vácuo estranho sobre algo que poderia ser tratado com tranquilidade mas ao mesmo tempo com urgência.

    Pra mim, o Dia de Finados sempre foi um dia de reflexão. Apesar de eu sempre pensar na morte , este dia em especial, acaba sendo uma energia mais propensa a pensar sobre tudo.

    Não é apenas se lembrar de quem já se foi, mas o que podemos fazer com a vida que ainda nos resta.

    Memento Mori , do latim, lembre-se que você irá morrer um dia. Muito utilizado pelos filósofos estoicos na Antiguidade Clássica.

    Tenho essa frase tatuada na minha mão pra justamente lembrar que meu tempo é limitado (e olha que eu ainda procrastino muita coisa kkk).

    Tudo é efêmero nessa vida.

    É só olhar para as paredes, para as marcas do rosto, para a escola que você estudava e para os seus pais. A ação do tempo em nós e nas coisas é nítida e cristalina.

    A morte é a entidade mais democrática que existe . É misteriosa, sem piedade e sem explicação. É o que é.

    A morte e o tempo são forças que nunca vou conseguir entender. É uma loucura!

    E ultimamente ando em crise com o tempo. Como sempre digo, tenho saudade de sentir o gosto do tempo.

    Por ter ciência que a qualquer momento não poderei estar aqui, sinto que preciso viver a vida da melhor forma possível. Como diz o filósofo Henry David Thoreau: quero viver em profundidade e sugar todo o tutano da vida.

    Tenho a impressão que a modernidade faz a gente desperdiçar muito tempo. Pelo jeito não são mais tempos líquidos e sim tempos gasosos .

    Viramos escravos de um dispositivo móvel, e principalmente, das redes sociais.

    Não quero lembrar da minha história onde fiquei horas na frente de um celular. No fim da vida, quero ter memórias de experiências, trocas, aprendizados, viagens e tudo que há de bom na vida.

    Temos a falsa sensação de imortalidade. Pensamos que temos muito tempo ou que vamos viver pra sempre.

    E a morte vem te dizer que não é bem assim. Tenho a sensação que os acontecimentos traumáticos da nossa vida são formas de nos preparar para a morte.

    Pra morrer bem é preciso muito humildade.

    E para se aproximar de ser alguém verdadeiramente humilde, ás vezes, é preciso levar muita porrada da vida. E além disso, estar disposto a aprender a lição.

    Tem algumas referências que diz que a meditação também pode ser uma forma de se aproximar do que é morrer. É uma forma de preparar o ego.

    O ego não quer morrer. A gente morre de medo. Basta alguma coisa negativa acontecer que o desespero já vem.

    Somos apegados a matéria. Somos apegados aquilo que somos : a nossa identidade, as nossas pessoas, nosso trabalho, nossa personalidade… a nossa vida.

    Que na verdade nem dá pra chamar de “nossa”, né? Estamos de passagem.

    Acho que estamos apenas emprestando tempo e alguns anos de vida para experenciar essa viagem.

    E pra quem acha que já entendeu tudo, sinto muito. Sinto muito pelo fato de que você escolheu fechar os olhos para tantas coisas que existem e você não sabe que existe.

    A vida, a morte, são mistérios. Se estamos vivos agora, de certa forma, é um milagre.

    Acho que a oportunidade de abrir os olhos todos os dias é um convite para celebrar a existência e estar disposto e curioso para descobrir mais de si mesmo e do mundo.

    Inclusive, pense nas quais que você quer ou deva deixar morrer para viver plenamente. Isso também é importante. A vida é movimento e renovação

    A vida só faz sentido porque existe a morte . Se fossemos viver pra sempre, primeiro: eu ia procrastinar pra caramba, e segundo, eu ia me cansar de ver a cara de vocês kkk.

    Deixo aqui minha homenagem a todos que já se foram, mas principalmente a minha tia Leonilda, minha avó Hermelinda, meus avôs Pedro e Augustinho e meu cachorrinho Jimmy.

    Desejo que você carregue o memento mori contigo, não com sentimento de tristeza, mas com a consciência de que você pode fazer muita coisa nessa vida e que ela é finita. Que você deve se preocupar menos e viver mais.

    Pense naquele projeto que está parado, nas pessoas que quer ver, nas experiências que quer viver, no perdão que não disse ou em algo que quer construir.

    Qualquer coisa.

    Tudo é válido para uma alma que está apenas de passagem por aqui.

    Não espere mais!

    Carina Yano tem 30 anos e é formada em fotografia com três fotos publicadas na Vogue Itália. Trabalhou durante 7 anos como jornalista. No momento trabalha como massoterapeuta, colunista da Tv Sobrinho e Youtuber. Seu amor pela escrita é um romance antigo. Desde a sua adolescência escrevia, mas só agora teve a oportunidade de expor em público suas reflexões.

    * O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.

    Fonte: TV Sobrinho

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