Fernanda, de 24 anos, foi vítima de H1N1 - Foto: Arquivo pessoal
Fernanda, de 24 anos, foi vítima de H1N1 - Foto: Arquivo pessoal
Fernanda, de 24 anos, foi vítima de H1N1 – Foto: Arquivo pessoal

Aos 23 anos, com um filho de cinco anos a 15 dias do casamento, Fernanda Segovia se viu diante do vírus mais temido do momento, o H1N1. Depois de contar com a solidariedade de uma conhecida para conseguir o remédio para o tratamento da doença – que está em falta no mercado, a jovem repetiu a gentileza e ajudou outras três pessoas que também estavam na mesma situação que ela.

Com gripe e febre há dois dias, na terceira noite a jovem procurou a Unidade Básica de Saúde do Aero Rancho já com falta de ar. “A sensação era como se eu tivesse caído de um lugar bem alto e de costas no chão”, descreveu Segovia.

Após ter sido atendida na unidade pública de saúde, onde funcionários perderam a ficha médica dela por duas vezes, Fernanda ficou isolada e foi liberada no mesmo dia. “Durante quatro dias seguidos eu procurei o Posto do Aero Rancho e todos os dias fui liberada. Não fosse uma cliente da minha mãe, que é médica, acho que eu já tinha morrido”, relatou.

A mãe de Fernanda, que assim como ela trabalha num salão de beleza de Campo Grande, ao procurar pelo serviço, notou que a mãe estava chorando. “A cliente chegou para fazer a unha e perguntou porque minha mãe chorava, aí ela disse que eu estava doente e que não encontrava o remédio”.

Sensibilizada, a médica se prontificou a ajudar. “Ela ligou no Aero Rancho, onde eu estava sendo atendida, e pediu para falar com o médico. Então ela explicou que eu estava com H1N1 e pediu para dar preferência ao meu atendimento. Fiquei isolada, em estado crítico. Me deram diversas injeções e o antiviral. Já não respirava direito e não completava uma frase sem tossir”.

Liberada e receitada a tomar o Tamiflu, o marido de Fernanda saiu em busca ao medicamento pela cidade toda. Além do Aero Rancho, o remédio estava em falta nas Unidades de Pronto Atendimento do Coronel Antonino e Vila Almeida.

“Então meu marido foi ver para comprar em uma farmácia em frente ao Posto do Aero Rancho, lá também não tinha, só sob encomenda, demorava para chegar e custava R$ 380. Meu marido disse que não adiantava, pois eu precisava com urgência”.

Com dificuldade e necessidade de tomar o medicamento, Fernanda entrou novamente em contato com a médica e cliente. “Foi quando ela ligou para o meu marido e ele foi buscar duas cartelas do medicamento com ela. No final da tarde do mesmo dia a médica avisou meu marido que ele poderia retirar mais duas cartelas na UPA do Coronel Antonino”.

Aliviada por ter conseguido o medicamento, Fernanda conta que os efeitos colaterais são terríveis. “Tive diarreia, vômito e delírio. Ele é muito forte”, contou. Durante cinco dias ela teve que ministrar a droga a cada 12 horas.

Seis dias depois a jovem começou a melhorar. “Repeti os exames e já estavam normalizados. Foi quando, navegando pelas redes sociais, vi uma mãe, desesperada, procurando o remédio para ela e o bebê, que também estava infectado. Então falei para ela ir buscar o remédio comigo. Ela até chorou”. A outra cartela Fernanda doou para outra menina, também descoberta pelo Facebook, que estava com a mãe doente.

A jovem, com casamento marcado para hoje (25), ou melhor, daqui a pouco, ainda tem uma cartela guardada. “Por precaução, melhor guardar né?”, brincou a menina que hoje faz parte das estatísticas de pessoas infectadas pelo vírus da gripe A.

Fonte: Portal do Cone Sul