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Leonid continua preso – Foto: Reprodução

Preso no dia 24 de julho, uma semana depois do início da Operação Hashtag, da Polícia Federal, o campo-grandense Leonid El Kadre de Melo foi o responsável por planejar ações terroristas que poderiam ser executadas no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas. Em e-mail enviado por ele a outros comparsas, consta que na fronteira do Brasil com a Bolívia poderia ser instalado um centro de treinamento terrorista.

A mensagem enviada por Leonid, que estava morando no interior do Mato Grosso, para 10 pessoas foi identificada pela Polícia Federal em fevereiro e desde então os envolvidos eram monitorados.

O programa Fantástico, da Rede Globo, teve acesso ao e-mail, divulgado ontem. De acordo com a mensagem, Leonid saudava os comparsas em “nome de Allah” e afirmava que um grupo deveria ser formado com as intenções de “nos preparar física, intelectual e espiritualmente para o combate. Treinaremos artes marciais e manuseio de armas de pequeno e médio porte, assim como artilharia pesada, formando assim combatentes preparados”.

Para que os envolvidos pudessem ser treinados e toda estrutura montada, Leonid dizia que roubos seriam feitos para arrecadar fundos, nesse caso, segundo ele, o crime era um meio “legal de financiar a causa de Allah”.

O campo-grandense afirma ainda que os treinamentos para as ações terroristas seriam feitos em um sítio na fronteira do Brasil com a Bolívia. “Onde teremos suporte para os treinamentos e compra de equipamentos. Conheço as estradas e onde podemos conseguir o que desejamos”.

Na mensagem, no entanto, Leonid não deixa claro se a base seria montada em Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso, onde ele residia atualmente.

À Rede Globo, a advogada do campo-grandense, que também é mãe dele, Zaine El Kadre, disse que o e-mail é falso e foi idealizado por terceiros.

OPERAÇÃO

Mensagens de apoio aos últimos atentados do Estado Islâmico e tentativa de compra de armas entre brasileiros foram interceptadas, em redes sociais como Telegram e WhatsApp, pela Divisão de Antiterrorismo da Polícia Federal. O procedimento foi autorizado pela Justiça com base na Lei Antiterrorismo sancionada, em março, pela presidente afastada Dilma Rousseff.

Segundo o Ministério da Justiça, alguns dos investigados na operação chegaram a fazer juramento virtual ao grupo terrorista, mas não tiveram contato com membros do Estado Islâmico. As autoridades brasileiras classificam o grupo como “célula absolutamente amadora”.

No começo do mês passado, 10 suspeitos foram presos pela PF em 10 estados do país. No dia 22, o 11º suspeito foi pego. Todos foram trazidos para o presídio federal de Campo Grande.