Morreu na última terça-feira (13), aos 96 anos, Tarsila Passarelli Barroso, conhecida como Dona Silla. Artista plástica, musicista e professora, ela deixa um legado ligado à cultura, à memória e à identidade de Mato Grosso do Sul.
Além da atuação artística, Dona Silla participou da comissão responsável pela escolha da bandeira do Estado, após a criação de Mato Grosso do Sul, em 1977. Segundo o filho, o analista de sistemas Germano Barroso de Souza Filho, ela foi uma das principais fontes de informação do grupo por conhecer a história local, famílias e personagens da região.
O processo de definição do símbolo estadual ocorreu por meio de um concurso público aberto em 1978, que recebeu propostas do Brasil e do exterior. As reuniões aconteciam onde fosse possível, e muitas delas foram realizadas na casa da família, no bairro Amambaí. Com o aumento das inscrições, os encontros passaram a ser diários e seguiam até a madrugada.
Germano contou que o material era analisado proposta por proposta, com atenção às regras da heráldica. Ele também ajudava na rotina dos trabalhos, levando café e acompanhando as reuniões. A versão escolhida passou por ajustes até chegar ao formato atual, incluindo a substituição de uma cor marrom por azul, em referência à origem em Mato Grosso.
Para a família, a bandeira tem valor afetivo além do significado histórico. O filho lembra que Dona Silla se emocionava ao vê-la tremulando e que dizia, em tom de carinho, quando a avistava na rua. “Essa bandeira nasceu dentro da sala da casa dos meus pais”, resumiu Germano.
Nascida em uma família de músicos, Dona Silla cresceu em ambiente de saraus, instrumentos e encontros culturais. Tocava violão, acordeão e piano, pintava em tela, porcelana e gravura, formou alunos e organizou exposições, deixando contribuição importante para a cena cultural de Campo Grande. Ela teve três filhos e, nos últimos dias, ficou internada após uma infecção urinária agravar seu quadro de saúde.
Fonte: Campo Grande News




