Ver um amigo ou uma amiga começar a namorar um ex costuma despertar incômodo e até sensação de traição. A situação aparece com frequência em relações antigas e reacende emoções que pareciam resolvidas, mas nem sempre estão totalmente elaboradas por dentro.
Segundo a psicóloga Adriana Vinholi, especialista em relacionamentos, o fim de uma relação não apaga de imediato hábitos, memórias e vínculos criados ao longo do tempo. Ela afirma que o relacionamento amoroso vira rotina e que desacostumar da presença do outro pode levar mais tempo do que o discurso da superação sugere.
Adriana também aponta que o apego nem sempre é apenas afetivo. Dependência emocional, financeira ou sexual pode prolongar o impacto da separação. Além disso, pesa a ideia social de que existe apenas um “amor da vida”, crença que muitas pessoas incorporam ao viverem um término.
Na visão da especialista, o desconforto com amigos envolvidos com ex-parceiros não nasce de uma regra moral universal, mas de códigos repetidos socialmente sem muita reflexão. Cada relação, diz ela, tem acordos, valores e percepções próprios, e o mais importante é considerar o contexto específico de cada vínculo.
O sofrimento, porém, pode ir além do amor. A psicóloga explica que a situação pode ativar sensações de substituição, rejeição, competição e lembranças de abandono, traição, desvalorização, comparação, ciúme, raiva, frustração e ansiedade. Esses sentimentos também se relacionam à autoestima e à forma como cada pessoa lida com frustrações.
Para Adriana, o caminho mais adequado passa por empatia e comunicação clara. Em vez de transformar o desconforto em cobrança, a orientação é falar com objetividade, em tom pacífico, explicando sentimentos e expectativas, ao mesmo tempo em que se ouve a outra parte e se respeitam escolhas afetivas.
Fonte: Campo Grande News




