Depois de quase seis décadas cercado pela ideia de desaparecimento, o filme “Paralelos Trágicos”, primeiro longa de ficção produzido em Campo Grande, voltou ao centro da história com a descoberta de seus originais. A pesquisa foi feita pelo jornalista e escritor Rodrigo Teixeira, que reuniu 215 matérias publicadas ao longo de 60 anos.
O levantamento, batizado de “Em Busca do Lendário Paralelos Trágicos”, mostra que um dos materiais do filme está preservado na Cinemateca Brasileira desde 1989. Segundo Rodrigo, esse acervo apresenta danos importantes e não pode ser reproduzido. A investigação também revelou que Bernardo Elias Lahdo, produtor e autor do livro que inspirou o longa, guardava a existência de um segundo material em 16 milímetros.
Bernardo afirmou que nunca havia sido questionado diretamente sobre esse segundo original. O lançamento do catálogo digital ocorreu nesta terça-feira (28), no auditório de Arquitetura da UFMS, e o material pode ser consultado em link divulgado na ocasião. A pesquisa também resultou em um catálogo digital que deve servir como referência para estudos sobre o cinema produzido na cidade.
O original em 35 milímetros foi queimado junto com o Cine Acapulco, em 2000. O incêndio deixou um vazio na memória do filme, cujo destino passou a ser tratado como uma lenda entre cinéfilos. Agora, com os novos dados reunidos, a história ganha contornos mais precisos e mostra que a obra continuou sendo mencionada na imprensa ao longo de décadas.
“Paralelos Trágicos” foi dirigido por Abboud Lahdo e lançado em 13 de janeiro de 1967, no Cine Alhambra. A produção circulou entre 1967 e 1971 em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Campinas. Na estreia, parte da arrecadação foi destinada à rede feminina de combate ao câncer, contribuindo para a estrutura inicial do hospital oncológico de Campo Grande.
Fonte: Campo Grande News




