Uma pesquisa recém-publicada na revista Wetlands Ecology and Management, da Springer Nature, indica que o Pantanal consegue se recuperar após incêndios, mas essa resistência tem limites. Segundo o estudo, a combinação entre fogo, inundação e pressão do gado pode comprometer a biodiversidade do bioma.
O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do PELD, com participação de profissionais ligados à UFMS, ao Ibama e a outras instituições. Com base em experimentos de longo prazo, a equipe analisou como diferentes tipos de queimadas, os níveis de alagamento e a herbivoria influenciam a vegetação pantaneira.
Os resultados mostram que nem todo fogo produz o mesmo efeito. Queimadas de baixa intensidade, feitas no início ou no fim da estação seca, podem até favorecer a biodiversidade em áreas menos inundadas. Já incêndios mais fortes, especialmente no período mais seco, reduzem a diversidade de espécies e deixam o ambiente mais homogêneo.
O regime de cheias também aparece como um elemento central. Em áreas mais alagadas, o fogo intenso tende a ampliar a perda de diversidade e a simplificação da vegetação, sobretudo onde o alagamento dura mais tempo. Para os pesquisadores, avaliar incêndios no Pantanal sem considerar o ciclo das águas é uma leitura incompleta.
O estudo ainda aponta que a presença de herbivoria, associada principalmente ao pastejo de gado, pode intensificar os impactos quando combinada ao fogo. Em alguns cenários, essa interação reduz a diversidade de forma semelhante à observada em incêndios de alta intensidade.
Mesmo com esses alertas, a pesquisa não descarta o uso do fogo como ferramenta de manejo. A recomendação é que as estratégias levem em conta intensidade das queimadas, período do ano, regime de cheias e pressão de pastejo, para evitar perdas de biodiversidade em áreas mais vulneráveis.
Fonte: Campo Grande News




