O Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14,75% para 14,5% ao ano nesta quarta-feira (29), em decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), em Brasília.
Este foi o segundo corte consecutivo da taxa, que havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, no patamar mais alto em quase duas décadas. A decisão veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.
Ao justificar a medida, o Copom adotou tom cauteloso e informou que segue acompanhando os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis e alimentos, além das incertezas em relação ao comportamento da inflação. O comitê avaliou que as projeções seguem acima da meta no horizonte relevante da política monetária.
A Selic é o principal instrumento usado para controlar a inflação, medida pelo IPCA. A prévia do índice, o IPCA-15, subiu 0,89% em abril e acumulou alta de 4,37% em 12 meses, acima dos 3,9% observados em março. No sistema de meta contínua adotado em 2025, o objetivo é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que leva o teto a 4,5%.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em março, o Banco Central elevou a projeção de inflação para 2026 de 3,5% para 3,6%. Já o boletim Focus indica estimativa mais alta, de 4,86%, acima do teto da meta. Para o crescimento da economia, o BC manteve previsão de 1,6% em 2026, enquanto o mercado trabalha com avanço de 1,85% do PIB.
Com a redução, o custo do crédito tende a cair, o que pode estimular consumo e investimentos. Por outro lado, juros mais baixos também diminuem a força do controle inflacionário. A Selic ainda serve de referência para outras taxas da economia e para os títulos públicos negociados no mercado.
Fonte: Campo Grande News




