04/06/2026
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    Mulher presa por fingir ter 12 anos já enganou conselho tutelar em Campo Grande

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    Amanda foi acolhida como adolescente na Capital e voltou a aplicar golpe ao ser adotada em Joinville (SC).

    Presa nesta quarta-feira (3) em Joinville (SC) por se passar por uma adolescente de 12 anos, Amanda Maria Souza de Oliveira já havia enganado instituições de proteção da Capital sul-mato-grossense em 2023. À época, a suspeita alegou ter 13 anos e usou nome falso para obter acolhimento em abrigo para menores de idade em situação de vulnerabilidade.

    O caso voltou a chamar atenção nacional após a Polícia Civil de Santa Catarina concluir que Amanda, aos 37 anos, viveu durante cerca de 14 meses como filha adotiva de uma família. Segundo a investigação, ela se apresentou como uma adolescente vítima de maus-tratos, recebeu acolhimento, ajuda financeira e chegou a ganhar uma festa de aniversário de 12 anos.

    Em Campo Grande, a história teve início no dia 3 de novembro de 2023. Na data, a reportagem do Campo Grande News apurou que Amanda procurou atendimento social na Casa da Mulher Brasileira. Aos conselheiros, disse ter nascido em Feira de Santana (BA) e não possuir documentos.

    A informação mobilizou a rede de proteção e a unidade encaminhou a suposta adolescente para uma unidade de acolhimento institucional destinada a crianças e adolescentes, na região do Vilas Boas.

    A versão, porém, começou a despertar dúvidas entre os profissionais responsáveis pelo atendimento. Durante buscas na internet, funcionários da PM (Polícia Militar) encontraram reportagens sobre uma mulher que usava histórias semelhantes em diferentes regiões do País.

    Diante da suspeita, Amanda foi levada à Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário e Centro Especializado de Polícia Integrada), onde revelou a verdadeira identidade. Presa, ela declarou ser andarilha e afirmou sofrer de transtornos mentais.

    O delegado do caso, Daniel Luz da Silva, chegou a reportar que não havia indícios de prejuízo financeiro ou golpes praticados na Capital. Por isso, a ocorrência foi registrada como falsa identidade. “Ela não preencheu nada, ou apresentou documentos falsos, só disse ser quem não é”, disse à reportagem por telefone. Horas depois, ela foi solta.

    O histórico já era conhecido por autoridades de outros estados. Em julho de 2023, Amanda foi identificada no Rio de Janeiro após procurar um projeto social e afirmar que havia sido vítima de prostituição infantil, cárcere privado, maus-tratos e rituais de bruxaria.

    Na ocasião, ela sustentava que o pai teria aplicado hormônios durante sua infância para fazê-la parecer mais velha. A narrativa levou voluntários e autoridades a mobilizarem uma rede de apoio até que a verdadeira identidade fosse descoberta.

    As investigações também apontavam registros semelhantes em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Segundo reportagens publicadas à época, Amanda utilizava versões parecidas da história para obter acolhimento e assistência.

    O episódio mais recente ocorreu no Sul. Conforme a Folha de S.Paulo, Amanda procurou uma igreja da cidade e contou que havia fugido do Pará por sofrer maus-tratos. A versão sensibilizou membros da comunidade religiosa e abriu caminho para que ela fosse acolhida por uma família.

    Durante mais de um ano, ela viveu como filha do casal. Para justificar a aparência incompatível com a idade que alegava ter, afirmava sofrer de autismo e outras condições clínicas. Também dizia que seu aspecto físico era consequência do uso forçado de hormônios na infância.

    Segundo os investigadores, Amanda mantinha comportamentos infantilizados e utilizava objetos associados à infância para reforçar a identidade falsa. A farsa terminou quando uma parente da família desconfiou da história, pesquisou casos semelhantes e encontrou registros anteriores envolvendo a mulher.

    A Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva de Amanda. Ela também passará por exame de sanidade mental.

    Para a Folha de S.Paulo, a defesa informou que aguarda a conclusão da perícia para se manifestar sobre o caso.

    Fonte: Gustavo Bonotto/Campo Grande News

    Foto: Juliano Almeida/Campo Grande News

    Fonte: Panorama do MS

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