Uma audiência pública realizada na noite desta quinta-feira (23), em Campo Grande, colocou em lados opostos a proposta de uma ponte no Parque Linear do Segredo e a preservação da área reflorestada na região norte da cidade. O encontro ocorreu na Associação de Moradores da Vila Saraiva, no Jardim Seminário, com presença de moradores, técnicos da prefeitura, Ministério Público e representantes de projetos ambientais.
Representantes do Executivo afirmaram que a ideia ainda está no início e que não existe definição sobre traçado ou execução. A diretora-presidente da Planurb, Mariana Massud, explicou que a travessia surgiu como diretriz em estudos de impacto de vizinhança apresentados por empreendimentos da região e ressaltou que o processo depende de análise técnica e licenciamento ambiental.
Na audiência, vereadores defenderam que a proposta seja revista e que alternativas sejam analisadas. O autor do pedido do encontro, Ronilço Guerreiro (Podemos), e outros parlamentares indicaram intenção de levar à Câmara Municipal a discussão de um projeto mais amplo de requalificação do parque, com foco em lazer, segurança e preservação ambiental, em vez da obra viária.
Do outro lado, a Agetran sustentou a necessidade de ligação entre bairros com base na mobilidade da região norte. A diretora-executiva Andrea Figueiredo afirmou que levantamentos identificaram 4.700 veículos em uma hora e meia em um cruzamento local e disse que a interligação buscaria reduzir deslocamentos longos e distribuir melhor o fluxo viário.
Moradores e integrantes do projeto Ecoplantar contestaram a proposta. Eloisa Fernandes, que vive na região há 60 anos, afirmou que a vegetação foi resultado de anos de trabalho e pediu atenção a outras demandas, como transporte e saúde. Já o secretário-adjunto da Semades, Ademar Silva Júnior, disse ter sido surpreendido com a possibilidade da ponte e criticou a ausência de diálogo prévio com a comunidade.
O Ministério Público informou que abriu procedimento para acompanhar o caso e apurar a legalidade da eventual intervenção. Durante a audiência, a professora Eliane Guaraldo, da UFMS, apresentou estudos para requalificação do parque com recuperação ambiental, áreas de lazer e soluções de drenagem. Até o encerramento do encontro, não houve deliberação final.
Fonte: Campo Grande News




