Mato Grosso do Sul registrou queda no número de conflitos por terra em 2025, mas os episódios ficaram mais violentos, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligados a disputas entre indígenas e produtores rurais.
De acordo com o levantamento obtido pelo Campo Grande News, as ocorrências passaram de 99 em 2024 para 44 em 2025. A maior parte dos registros se concentrou na região sul do Estado, especialmente na área de Dourados, apontada como um dos principais focos dessas tensões no país.
Apesar da redução, o representante da CPT em Mato Grosso do Sul, Roberto Carlos de Oliveira, avalia que o cenário continua grave. Segundo ele, aumentaram os assassinatos e o número de famílias atingidas, o que indica episódios menos frequentes, porém mais severos.
No Estado, os casos envolveram 7.151 famílias, em sua maioria indígenas Guarani-Kaiowá. Entre as violências registradas estão sequestro, agressões, ferimentos, estupro, tentativas de assassinato e cárcere privado, sempre associadas às disputas por terra.
Na região de Dourados, quatro episódios de violência ligados a conflitos entre indígenas e fazendeiros foram contabilizados em 2025. O caso mais sensível ocorreu na Reserva Indígena de Dourados, onde 3.755 famílias foram atingidas. A área reúne cerca de 13,5 mil habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE, e concentra povos Guarani, Kaiowá e Terena.
O levantamento também aponta aumento da violência no campo em todo o país: os assassinatos passaram de 13 em 2024 para 26 em 2025. Em Mato Grosso do Sul, a CPT afirma que cerca de 78% das violências registradas em conflitos rurais atingiram povos indígenas. O estudo ainda cita cinco casos de trabalho análogo à escravidão no Estado, com 95 resgatados, quatro deles no Pantanal.
Fonte: Campo Grande News




